Festivais de Verão

O paraíso segundo os Kings of Convenience

O paraíso segundo os Kings of Convenience

Em qualquer outro festival, é provável que a escolha de um grupo tão específico e normalmente discreto como os Kings of Convenience para actuar numa fase tão adiantada da noite - logo a anteceder a entrada dos cabeças de cartaz - fosse um acto quase suicida. Mas não em Paredes de Coura, onde o público valoriza algo mais do que apenas a espectacularidade ou a carga decibélica.

Aprecie-se ou não a música da dupla norueguesa Erlend Oye e Eirik Glambek Boe ("somos a banda mais pequena a tocar no festival. Mas queremos soar em grande", disse, logo no início), o que ela conseguiu na amena noite de Coura foi simplesmente admirável: conquistar por inteiro uma plateia à conta das suas canções acústicas de embalar, tecidas como pequenas jóias artesanais que nunca nos cansamos de admirar.

Claro que o badalado episódio do passeio de Oye nas margens do rio Taboão ajudou sobremaneira a esse clima de comunhão alcançado. Mas nem esse pormenor interfere com os méritos do concerto mais longo da edição deste ano: quase duas horas, aliás, o único a ter direito a um encore.

"É sempre divertido tocar em Portugal", clamou num português irrepreensível, por mais do que uma vez, o por norma pacato Erlend Oye, que, estimulado pela assistência, não se conteve e tentou até uns desenvoltos passos de dança.

Rendidos à beleza do local ("o mais próximo que já estivemos do paraíso", disseram), os dois músicos abalançaram-se mesmo por outros territórios, interpretando a conhecida composição de Tom Jobim "Corcovado".

Se o final da tarde teria sido o horário mais condizente para o concerto, o público não pareceu ralado com esse desfasamento, devotando aos King of Conveniente uma calorosa recepção.

A prestação dos noruegueses ofuscou por completo Marina & The Diamonds, cuja inclusão como cabeça de cartaz (e até no programa) constituiu um claro erro de 'casting' da organização, um dos maiores de que há memória no já longo historial de Paredes de Coura.

A voz pseudo-operática da avantajada grega - uma espécie de Samantha Fox oxigenada do século XXI - e a batida tecno-chunga fariam decerto mais sentido num outro género de festival, o da Eurovisão, onde, estamos certos, a veremos mais ano menos ano.

De longe, o pior concerto do festival.

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