Festivais de Verão

Rock sem concessões marca terceira noite

Rock sem concessões marca terceira noite

Com ar de rapazes bem comportados, os Battles não se ajustam propriamente à imagem clássica de uma banda de rock. Mas a batida sincopada e os sons cirúrgicos que extraem dos instrumentos conseguem ser de tal forma vibrantes que bem dispensam quaisquer actos de rebeldia em palco.

Agora reduzido a trio, o grupo nova-iorquino (uma constante na edição deste ano) exibiu um rock eminentemente instrumental que deixou por demais evidente o virtuosismo dos seus membros. Essa mais-valia conduziu, porém, em mais do que uma ocasião, ao prolongamento das músicas para lá do desejável.

Nada que obstasse à impressão altamente favorável suscitada por um concerto que terá alargado decerto a base de fãs do grupo em Portugal, pelo que não causará estranheza um rápido regresso após a bem sucedida estreia.

Os sons crus e certeiros dos Battles convidam mais ao movimento do que ao êxtase, mas foi com uma incontida manifestação de júbilo que a plateia acolheu o principal e único êxito da banda, "Atlas".

Dos Deerhunter, que subiram ao palco poucos minutos das 23 horas, fica a evidência de um dos mais sólidos concertos do festival até ao momento.

À aspereza das guitarras acrescenta-se a voz magnética de Bradford Cox e a bateria instável para adensar uma atmosfera entre a estranheza e o irreal, que gozou dos merecidos favores da plateia.

O vocalista, Bradford Cox, não se poupou a esforços no sentido de estreitar laços com o público, já numeroso mas ainda distante da noite de ontem. Elogiou Portugal com frequência, "um dos lugares mais assombrados do planeta", disse, e fez votos para que não seja necessário esperar tanto tempo até ao próximo regresso. O povo gostou e perdoou até o lapso de Bradford Cox, convencido de que acabara de actuar no Porto...

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