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Espanha campeã ao estilo catalão

Espanha campeã ao estilo catalão

Todos os golos do título foram de jogadores do Barça.

A Espanha sagrou-se ontem, pela primeira vez, campeã mundial, graças a uma vitória dramática sobre a Holanda (1-0), numa final decidida apenas no prolongamento. Mais uma vez, foi um herói catalão (Iniesta) a decidir tudo a favor da selecção espanhola.

Um dia depois de, em Barcelona, cerca de um milhão de pessoas se ter manifestado contra uma decisão do Governo espanhol que, basicamente, diminui o estatuto autonómico da Catalunha, um herói catalão deu o primeiro título mundial à Espanha. De resto, os oito golos da selecção espanhola no Campeonato do Mundo, que ontem terminou, foram marcados por jogadores do Barcelona (cinco de David Villa, contratado antes do Mundial ao Valência, dois de Iniesta e um de Puyol).

O triunfo de ontem confirmou o sucesso do estilo de jogo do clube catalão, que teve sete dos onze titulares da final, cujos expoentes são Xavi e Iniesta, dois baixinhos geniais, capazes de superar qualquer sistema defensivo, português, paraguaio, alemão ou holandês... Vale a pena destacar a contribuição decisiva do guarda-redes Casillas, digno representante do Real Madrid, que negou duas vezes o golo a Robben, estrela da selecção "laranja", mas ontem incapaz de aproveitar as duas grandes oportunidades criadas pelos passes geniais de Sneijder.

Emoção depois da dureza

A final de Joanesburgo não foi bonita, em função da dureza aplicada no jogo pelos holandeses, a que os espanhóis não resistiram responder, e dos 14 cartões amarelos que o árbitro foi mostrando. Howard Webb bem tentou apitar à inglesa, mas não teve coragem para expulsar o médio De Jong, ainda na primeira parte, preferindo punir com um amarelo uma entrada ao melhor estilo de um filme de karaté, sobre Xabi Alonso. De falta em falta - ao todo, foram 47 -, o jogo arrastou-se na primeira parte, mas ganhou emoção na segunda, quando Casillas e Stekelenburg passaram de quase espectadores a figuras, graças a uma série de defesas notáveis que mantiveram o nulo e forçaram o prolongamento.

Os 30 minutos suplementares confirmaram a maior apetência pelo ataque da equipa espanhola, à qual só ia faltando o golo para culminar uma série de jogadas espectaculares. Já com Fabregas e Torres em campo, "La Roja" empurrou a Holanda para a área e a pressão foi tanta que Heitinga não foi capaz de evitar o segundo amarelo, por falta sobre Iniesta. O médio do Barcelona estava mesmo destinado a ser herói, marcando a seguir o golo da vitória espanhola, a três minutos do final.

Os holandeses protestaram, com razão, o facto de, antes da jogada decisiva, o árbitro não lhes ter assinalado um canto e uma falta, mas a sua terceira derrota em finais de Mundiais estava consumada. O resultado é um prémio para a maior qualidade catalã/espanhola e confirma as qualidades premonitórias do polvo Paul. O molusco não falha uma...