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As alianças de Ahmed e Doudou resistiram ao Mediterrâneo tal como o seu amor

As alianças de Ahmed e Doudou resistiram ao Mediterrâneo tal como o seu amor

As alianças de um casal argelino que sobreviveu a um naufrágio, no dia 21 de outubro, foram encontradas no Mediterrâneo, junto à ilha de Lampedusa, no sul da Itália. Quando receberam a notícia, os jovens não queriam acreditar, "as alianças estavam na mochila porque se estragaram e queríamos repará-las quando chegássemos à Europa", explica Ahmed.

A equipa de resgate da organização sem fins lucrativos Open Arms deparou-se com uma mochila vermelha a flutuar no mar, no dia 9 de novembro, dias após um barco de migrantes ter sofrido um naufrágio. A mochila estava encharcada em combustível e coberta de caracóis do mar, mas o conteúdo continuava intacto. Para além de algumas peças de roupa, continha duas alianças de casamento, gravadas com os nomes "Ahmed" e "Doudou".

"Pensamos que era a prova de mais uma história de amor que acabou no fundo do mar. Infelizmente, encontramos muito disto. Na maioria das vezes malas e sacos, a flutuar no mar, e que são nada mais do que símbolos de mais uma viagem que começou na Líbia e terminou em tragédia", revela Riccardo Gatti, presidente da ONG espanhola Open Arms, que encontrou estes itens pessoais.

Decidida a encontrar os donos destas alianças, a ONG publicou algumas fotografias nas suas redes sociais e em alguns meios de comunicação social. Através de um artigo no jornal "La Repubblica", os Médicos Sem Fronteiras descobriram que as alianças pertenciam a Ahmed, de 25 anos, e Doudou, de 20. O casal estava alojado num centro de migrantes na Sicília e quando viram as imagens não queriam acreditar. "Perdemos tudo e encontrarem agora algumas das coisas que levávamos na viagem é incrível. As alianças estavam na mochila porque se estragaram e queríamos repará-las quando chegássemos à Europa", diz Ahmed, cita o jornal "The Guardian".

Ahmed e Doudou tinham deixado a Líbia num pequeno barco de madeira com vinte pessoas, no dia 19 de outubro. As más condições do tempo e a falta de combustível deixou-os à deriva no mar. O barco acabou por naufragar, após ser atingido por uma onda gigante, que provocou a morte de cinco pessoas. "As quinze pessoas foram salvas por um barco de pescadores da Sicília. Cinco pessoas morreram, incluindo uma menina de dois anos", conta Ester Russo, psicólogo dos Médicos Sem Fronteiras.

A mochila com as alianças ainda se encontra no barco da Open Arms, que já está a caminho da Sicília, e em breve será devolvida ao casal. "Mal podemos esperar para a entregar a Ahmed e a Doudou. Não se trata apenas de objetos, frequentemente estas malas que encontramos são tudo o que estas pessoas têm, como estes anéis. São o símbolo de um amor que felizmente, desta vez, o Mediterrâneo poupou", afirma Riccardo Gatti.

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