Venezuela

Governo alemão exige realização imediata de eleições "livres e justas"

Governo alemão exige realização imediata de eleições "livres e justas"

O Governo alemão exigiu a realização imediata de eleições "livres e justas" na Venezuela e indicou que, se isso não acontecer, está disposto a reconhecer provisoriamente o autoproclamado presidente venezuelano Juan Guaidó como chefe de Estado interino.

Numa reunião com os meios de comunicação, o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, indicou que Berlim considera que Nicolás Maduro "não pode ser o Presidente legítimo da Venezuela", uma vez que nas últimas eleições presidenciais os "padrões democráticos" não foram cumpridos.

Steffen Seibert lembrou que Berlim defende que haja uma solução europeia, acrescentando que a chanceler alemã, Angela Merkel, conversou, na quinta-feira, com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sobre a situação na Venezuela.

O porta-voz do Governo alemão argumentou que para a realização de eleições livres a Assembleia Nacional deve desempenhar um papel importante e frisou que "Juan Guaidó é o líder da Assembleia Nacional".

"São necessárias eleições livres e justas, a liderança legítima do país não tem Nicolás Maduro, acreditamos que a Assembleia Nacional deve ter um papel importante no processo para sair da crise", afirmou Seibert acrescentando que "Juan Guaidó é o líder da Assembleia Nacional".

Por seu turno, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, Maria Adebahr, referiu que "a Assembleia Nacional é o único órgão legítimo democraticamente na Venezuela".

Adebahr citou uma frase dita em Nova Iorque pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, em que sublinhou que na crise venezuelana a Alemanha não é neutra e está do lado de Juan Guaidó.

"Em relação à Venezuela, não somos neutros, estamos do lado de Juan Guaidó", mencionou Maria Adebahr.

Tanto Steffen Seibert como Maria Adebahr salientaram que a União Europeia não reconheceu o resultado das eleições em que Nicolás Maduro foi eleito Presidente por considerar que não tinham cumprido "os padrões democráticos mínimos".

Juan Guaidó, presidente do Parlamento venezuelano, autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA), a maioria dos países da América Latina, à exceção de México, Bolívia, Nicarágua e Cuba -- que se mantêm ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela -, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Rússia, China, Turquia e Irão manifestaram também o seu apoio a Nicolas Maduro.

A União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

Da parte do Governo português, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, expressou na quarta-feira pleno respeito pela "vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela, disse esperar que Nicolás Maduro "compreenda que o seu tempo acabou" e apelou para a realização de "eleições livres".

Os Estados Unidos pediram uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, que deverá realizar-se este sábado, para abordar a situação na Venezuela.

A Venezuela, país onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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