Siria

Kremlin garante que exército russo apenas atacou "terroristas" em Idlib

Kremlin garante que exército russo apenas atacou "terroristas" em Idlib

O Kremlin garantiu, na segunda-feira, que o exército russo apenas visou "terroristas" na província síria de Idlib, o último grande bastião 'jihadista', após o Presidente dos EUA acusar a Rússia e o seu aliado sírio de matar "muitos civis inocentes".

"Em Idlib, ainda há uma elevada concentração de terroristas e de combatentes que usam essa concentração para atingir alvos civis ou envolver-se em atos de agressão contra instalações militares russas", indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

"Os bombardeamentos de terroristas de Idlib são inaceitáveis e estão a ser tomadas medidas para neutralizar essas posições de artilharia", acrescentou Peskov.

Estas declarações ocorrem depois do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter pedido no domingo à Síria e ao seu aliado, a Rússia, para cessarem "o bombardeamento infernal" em Idlib.

"Ouvi dizer que a Rússia, a Síria e, em menor medida, o Irão estão a efetuar um bombardeamento infernal na província de Idlib na Síria e a matar indiscriminadamente muitos civis inocentes. O mundo está a assistir a este massacre. Qual é o objetivo, o que querem alcançar? Parem!", escreveu Trump na rede social Twitter.

Os comentários foram feitos depois de na sexta-feira organizações não-governamentais sírias terem criticado a inação da comunidade internacional face à escalada de violência do regime sírio e do seu aliado russo na província de Idlib, resultando na mais significativa vaga de pessoas deslocadas desde o início do conflito.

Pelo menos seis civis morreram na sequência de um novo bombardeamento do regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, em Idlib, ignorando assim o apelo do Presidente dos EUA.

Os ataques aéreos do regime atingiram hoje várias áreas da província, matando seis civis, incluindo quatro na localidade de Maaret al-Noomane, alvo de intensos bombardeamentos nos últimos dias, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O regime do Presidente Bashar al-Assad e o seu aliado russo intensificaram desde o final de abril os bombardeamentos contra a província de Idlib e os territórios rebeldes adjacentes, como o norte da província de Hama, controlados pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, antigo ramo sírio da Al-Qaida) e por outros grupos extremistas.

A província de Idlib foi alvo de um acordo em setembro de 2018 entre Moscovo e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, sobre uma "zona desmilitarizada" em Idlib, que devia separar os territórios dos insurgentes das zonas governamentais e garantir uma paragem das hostilidades na região.

A Síria tem sido devastada por uma guerra que começou em meados de 2011 e já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.