Conflito

UE saúda cessar-fogo entre Moscovo e Ancara na província síria de Idlib

UE saúda cessar-fogo entre Moscovo e Ancara na província síria de Idlib

O chefe da diplomacia europeia saudou hoje o cessar-fogo entre a Rússia e a Turquia relativamente às patrulhas comuns na província síria de Idlib, esperando que esta seja uma decisão permanente, que facilite a ajuda humanitária à população.

"Claro que estou satisfeito com o cessar-fogo. É uma boa notícia e parece haver boas intenções", declarou Josep Borrell.

Falando aos jornalistas na entrada do Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE), que decorre na capital croata, Zagreb, no âmbito da presidência rotativa comunitária, assumida agora pela Croácia, o Alto Representante para a Política Externa notou que agora é necessário "ver como corre" o cumprimento deste acordo entre Moscovo e Ancara.

Ainda assim, notou que "este é um requisito para mobilizar ajuda humanitária para a população em Idlib".

"Não temos a capacidade de garantir um cessar-fogo [permanente] entre partes que não estão aqui [na reunião], por isso temos de nos concentrar na questão da ajuda humanitária", apontou Josep Borrell.

O chefe da diplomacia europeia vincou que a UE deve "melhorar as relações com a Turquia e com a Rússia".

"Há muitas, muitas questões que temos de melhorar, de falar, de discutir, e é por isso que estamos aqui", adiantou.

Já falando sobre a intimação feita por Ancara, de abrir as fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a UE, ameaçando assim falhar os compromissos assumidos com o bloco comunitário, Josep Borrell ressalvou que "a Turquia acolhe quatro milhões de pessoas e é preciso reconhecer isso".

Porém, "ao mesmo tempo, não podemos aceitar que os migrantes sejam usados como forma de pressão", vincou.

Com a medida, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pretende garantir mais apoio ocidental na questão síria, mas a iniciativa já foi veemente criticada pela UE.

Na quinta-feira, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou a entrada em vigor à meia-noite de um cessar-fogo na província síria de Idlib após as conversações em Moscovo com Vladimir Putin, mas advertiu que Ancara ripostará a qualquer ataque.

Por seu lado, o presidente russo, Vladimir Putin, assinalou que o acordo também se destina a terminar com o sofrimento da população civil e contribuir para conter a crise humanitária.

Foi ainda anunciado que os exércitos russo e turco vão promover, a partir de 15 de março, patrulhas comuns na autoestrada M4, eixo estratégico sírio que atravessa a região de Idlib.

O cessar-fogo vai ser aplicado ao longo das atuais frentes de batalha e o documento acordado pelas duas partes inclui, para além das patrulhas comuns, o estabelecimento de um corredor de segurança ao longo da autoestrada M4.

A ofensiva das forças de Damasco em Idlib, o último bastião jiadista e rebelde na Síria e onde estão presentes tropas turcas, provocou uma grave crise humanitária, com cerca de um milhão de deslocados que se dirigiram para a fronteira com a Turquia.

O conflito na Síria, iniciado em 2011, já provocou cerca de 380 mil mortos.

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