Homenagem

11 de Setembro: silêncio para não esquecer o ruído que tudo fez desabar

11 de Setembro: silêncio para não esquecer o ruído que tudo fez desabar

Vinte anos depois, a América volta a recordar com respeito os que morreram nos ataques e trabalha para que a memória de um dia horrível não esmoreça na consciência coletiva do país.

Já tudo terá sido dito sobre aquela manhã de setembro e nem assim, 20 anos depois, a emoção esmorece. Ouvir os nomes dos inocentes, ditos assim pelos familiares que não esquecem a perda das 2977 vítimas dos atentados de 2001 que abalaram o Mundo, continua - e continuará - a ser o sublinhar essencial da luta contra o terror: o profundo e contido respeito cerimonial é também uma forma de coragem, que ontem os norte-americanos voltaram a demonstrar, no Memorial 11 de setembro, em Nova Iorque.

Seis momentos de silêncio, um por cada estocada desferida pelos acólitos de Bin Laden, foram pontuando as cerimónias para recordar o ruído do choque e pavor do 11 de Setembro. Os ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton estiveram nos primeiros momentos, que homenagearam os "heróis" das forças de socorro e segurança que pereceram, mas a ideologia esteve afastada das celebrações que desdobraram, para além de Nova Iorque, também pelo Memorial de Shanksville, na Pensilvânia, onde se despenhou o voo 93 e por Arlington, na Virgínia, onde está o Pentágono.

Extremistas dentro do país

O presidente Joe Biden, que esteve nos três locais mas cedeu todo o protagonismo às famílias e representantes das vítimas, começou a ouvir o elencar de cada um dos nomes que não resistiram àquele inferno e seguiu depois para a Pensilvânia, onde aliás George W. Bush, o presidente em exercício em 2001 e um dos líderes americanos menos respeitados das últimas décadas, fez uma das intervenções mais marcantes do dia. Há "forças malignas a trabalhar para transformarem cada desacordo numa discussão, e cada discussão num choque de culturas", salientou Bush, numa alusão às fraturas sociais e políticas que afetam a América atual e a um episódio em especial: a invasão ao Capitólio de 6 de janeiro. Os extremistas dentro e fora dos EUA partilham não só o "desprezo pelo pluralismo" e a sua "indiferença pela vida humana", mas também a sua "determinação em profanar os símbolos do país".

Filhos e netos das vítimas

O programa do dia, que incluiu uma atuação de Bruce Springsteen, deu também primazia às crianças que estiveram em Nova Iorque a lembrarem pessoas que não conheceram, mas que passaram a ter como "anjos da guarda". Os descendentes das vítimas lamentam não terem conhecido alguns membros da família, mas tiram satisfação em acreditar que têm anjos a olhar por eles.

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"Nunca te conheci, mas sinto imenso a tua falta. A mãe conta-me todas as coisas loucas que tu fazias", afirmou uma criança, durante a leitura de nomes de vítimas, que se prolongou por várias horas. "Ouvi tantas boas histórias sobre ti e sou uma sortuda por ter um modelo como o meu avô", disse também a neta de um bombeiro que perdeu a vida no atentado.

Além da homenagem aos sobreviventes e familiares das vítimas, a comemoração deste ano, organizadas pelo Museu do 11 de Setembro, esteve especialmente focada em ensinar aos jovens o que aconteceu. Vinte anos são já muito tempo, mas o tempo nunca será suficiente para fazer o Ocidente esquecer.

Líderes europeus solidários com a América

O 20.º aniversário do 11 de setembro foi também assinalado pelos líderes internacionais, que se associaram à memória norte-americana. "Jamais esqueceremos. Sempre lutaremos pela liberdade", escreveu, no Twitter o presidente francês, Emmanuel Macron. Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prestou tributo às vítimas dos ataques jiadistas e recordou "quem arriscou tudo para ajudá-los". "Mesmo nos tempos mais sombrios e difíceis, o melhor da natureza humana pode brilhar", notou. "Os meus pensamentos e orações - e os da minha família e do país como um todo", disse a Rainha Isabel II, sentimento partilhado pelos líderes dos Estados italiano, alemão ou suíço.

6 momentos de choque

Todos os grandes choques daquela manhã de setembro foram recordados ontem por um silêncio: dos primeiros embates com as Torres Gémeas até ao seu devastador desabamento.

Recordar mortos no Afeganistão

No Pentágono, foram homenageados os 184 mortos no ataque contra o edifício, mas também os 2461 soldados norte-americanos que morreram na guerra no Afeganistão.

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