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Onze mortos em posto militar de Cabo Verde

Onze mortos em posto militar de Cabo Verde

Onze pessoas foram encontradas mortas, esta terça-feira, num posto militar da ilha cabo-verdiana de Santiago. Entre as vítimas estão dois civis espanhóis, um civil cabo-verdiano e oito militares.

Esta terça-feira de manhã, cinco corpos foram encontrados pelas autoridades, mas os restantes corpos acabaram por ser descobertos mais tarde.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Gomes, comandante adjunto da esquadra da Polícia Nacional de São Domingos, a norte da cidade da Praia, os seis soldados foram encontrados mortos numa caserna militar do posto de vigia de Monte Txota, próximo do principal centro de telecomunicações do país.

Segundo várias testemunhas ouvidas pela agência Lusa nas imediações do posto militar de Monte Txota, em São Domingos, os dois cidadãos espanhóis encontrados mortos trabalhavam para uma empresa que fazia manutenção no posto militar e pernoitavam num hotel em Rui Vaz, a poucas centenas de metros de distância.

Na segunda-feira, os dois cidadãos, que levaram consigo um civil cabo-verdiano, não apareceram na unidade hoteleira e esta terça-feira de manhã um dos guardas do hotel foi até ao local ver o que teria acontecido e encontrou cinco mortos no exterior da unidade militar, tendo depois alertado as autoridades policiais.

Depois disso, a polícia entrou numa caserna e encontrou mais seis militares mortos, supostamente com uma espingarda automática AKM, usada pelas forças armadas cabo-verdianas.

O ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, afirmou que a morte das 11 pessoas teve "motivações pessoais" e indicou que as autoridades estão à procura do suspeito, um soldado daquele destacamento. "Um soldado afeto ao próprio destacamento encontra-se desaparecido e há fortes indícios de que o mesmo esteja envolvido nos acontecidos", disse o governante.

Paulo Rocha afastou também qualquer ligação dos acontecimentos ao narcotráfico, bem como a atentados contra o Estado. "Não existem indícios de ligação destes fatos com o narcotráfico. Presume-se estarem na origem destes acontecimentos motivações pessoais, que excluem a ideia de atentado contra o Estado de Cabo Verde", disse Paulo Rocha.

Segundo o ministro, que tomou posse há quatro dias, as 11 vítimas são do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 20 e os 51 anos, sendo oito militares e três civis.

Dos três civis, dois são técnicos de nacionalidade espanhola, que se encontravam em Cabo Verde a prestar serviços no local e um de nacionalidade cabo-verdiana que também trabalhava com a equipa espanhola, adiantou o Paulo Rocha.

O ministro da Administração Interna adiantou ainda que do local, numa zona de montanha a cerca de 45 minutos da capital cabo-verdiana, "foram subtraídas nove espingardas e munições", entretanto já recuperadas do interior de um automóvel, na zona da Cidadela-Palmarejo, na cidade da Praia.

Paulo Rocha disse ainda que as Forças Armadas, a Polícia Nacional e a Polícia Judiciária estão no terreno "empenhadas em esclarecer cabalmente este lamentável episódio", deixando a garantia que "tudo será feito" nesse sentido.

O ministro adiantou que até ao momento não foram feitas detenções associadas a este caso e recomendou "calma e serenidade à população".

O Governo cabo-verdiano lamentou a tragédia e deu garantias de "apoio e solidariedade aos familiares das vítimas".

Esclareceu ainda que "não se verificaram tiroteios na cidade da Praia", contrariando notícias veiculadas durante a tarde por alguma comunicação social local.

"Os aeroportos estão a funcionar normalmente, não tendo sido nunca fechados", disse ainda o ministro.

Participaram também na conferência de imprensa os ministros dos Negócios Estrangeiros e Defesa, Luís Filipe Tavares, e da Justiça, Janine Lelis.