Rússia

70 colaboradores de Alexei Navalny intimados a depor em alegada fraude

70 colaboradores de Alexei Navalny intimados a depor em alegada fraude

Cerca de 70 colaboradores do Fundo de Combate à Corrupção (FBK), fundado pelo líder da oposição russa, Alexei Navalny, atualmente detido, foram intimados a depor perante o Comité de Investigação num caso de suposta fraude, anunciou fonte oficial.

A denúncia foi feita numa declaração na rede social Instagram pelo diretor da Fundação de Combate à Corrupção (FBK, na sigla em russo), Ivan Zhdanov, que frisou que a intimação maciça dos colaboradores do FBK "aponta claramente para Navalny".

"Durante dois anos tentaram demonstrar, no contexto do Caso FBK, que as doações feitas à fundação serviam para legalizar dinheiro roubado e agora querem demonstrar que as doações se fizeram para as roubar", escreveu o também advogado.

Zhdanov adiantou que, terça-feira à noite, em Moscovo, agentes da polícia emitiram intimações a pessoas que já deixaram de colaborar com a fundação.

Nos últimos anos, a FBK acusou vários altos funcionários russos de enriquecimento ilícito e denunciou vários escândalos, como o ligado ao "Palácio de Putin", uma luxuosa mansão construída no mar Negro para o Presidente russo Vladimir Putin.

A 26 de abril, a justiça russa suspendeu, como medida cautelar, as atividades do FBK, que, como outras estruturas criadas por Navalny, poderão, em breve, ser declaradas organizações extremistas por um tribunal de Moscovo.

Para vários aliados de Navalny, que cumprem, tal como o líder da oposição russa, uma pena de dois anos e meio de prisão num antigo caso criminal, não há dúvida de que o tribunal irá declarar que a rede de apoio ao opositor como uma organização extremista.

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Na terça-feira, os deputados russos aprovaram uma lei que visa proibir os membros de organizações classificadas como extremistas de se candidatarem a eleições, o que está a ser lido como visando o movimento de Navalny.

A quatro meses das eleições legislativas de setembro, e num contexto de impopularidade do partido do Governo, Rússia Unida, as organizações de Navalny estão atualmente em julgamento e o Ministério Público pediu que fossem classificadas como "extremistas",

Apesar de ter sido aprovada por 293 votos contra 45, a lei, para entrar em vigor, ainda precisa de ser aprovada em mais duas rondas pela Duma (o Parlamento russo), e depois passar pelo Conselho da Federação, a câmara alta do Parlamento - procedimentos que normalmente são uma formalidade em instituições controladas pelo Kremlin.</p>

Desde o início do ano, as autoridades russas intensificaram os ataques judiciais contra Navalny e as atividades das suas organizações, antes das eleições legislativas de setembro.

A eleição pode ser particularmente delicada para o partido Rússia Unida, afetado pelo cansaço dos eleitores, estagnação económica e escândalos de corrupção, mesmo que o Presidente Vladimir Putin continue popular, ao fim de 20 anos no poder.

Navalny, que é inelegível desde 2017, está preso desde janeiro e foi condenado a dois anos e meio de prisão por um caso de fraude datado de 2014, considerado "político".

A detenção de Navalny ocorreu durante o seu regresso à Rússia, após uma convalescença de vários meses devido ao envenenamento de que acusa o Kremlin.</p>

O texto da lei votado terça-feira proíbe qualquer pessoa envolvida em organizações "extremistas" de se candidatar às eleições legislativas.

Com efeito retroativo, a lei visa qualquer pessoa que tenha ocupado cargo de responsabilidade numa organização até cinco anos antes de ser qualificada como "extremista", período que é reduzido para três anos no caso de militantes de base ou simpatizantes.

A votação deste texto foi marcada por críticas de alguns deputados do partido Rússia Justa e dos comunistas, cujos votos, na maioria das vezes, estão sintonizados com a estratégia do Kremlin.

"São violados tantos dispositivos constitucionais (neste projeto) que nem sei como podemos discuti-los e como podemos votar", denunciou Valéri Gartoung, do partido Rússia Justa.

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