Líbano

A antiga "Paris do Oriente" é agora uma cidade em ruínas

A antiga "Paris do Oriente" é agora uma cidade em ruínas

Em Beirute, no Líbano, a pandemia já tinha acentuado as dificuldades de um país que, de uma era dourada no início do século XX, se transformou num barril de pólvora. Em agosto de 2020, uma explosão massiva foi a última gota para muitos libaneses.

As imagens do casal, recém-casado, que tirava fotografias naquele que devia ser o dia mais feliz das suas vidas e que, de repente, se veem no epicentro de uma enorme explosão correram mundo e ficam na retina de qualquer um. Infelizmente, estes jovens não foram os únicos afetados pela catástrofe que veio acentuar ainda mais o impacto da Covid-19 na população libanesa. Em poucos segundos, a explosão motivada pelo armazenamento de explosivos em condições inadequadas matou centenas de pessoas e abalou as estruturas de milhares de habitações na capital do Líbano. A falta de água, eletricidade e alimentos afetaram ainda mais as populações, que já sofriam com os constrangimentos impostos pela pandemia.

Josephine, a filha viúva de Salim Mailah, 88 anos e algumas maleitas que lhe dificultam a vida, estão também entre os milhares de libaneses para quem a vida mudou por completo nesse dia quente de agosto. A sua casa, muito perto do porto onde ocorreu a explosão, ficou muito danificada e a família não tinha meios para recuperá-la. No entanto, com a ajuda da UE, já conseguiram fazer as obras necessárias, e estão de regresso a casa.

Desde a primeira hora, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (UE) enviou centenas de operacionais para Beirute, desde equipas médicas e ambulâncias que ajudaram a tratar os feridos, a engenheiros que contribuíram para a recuperação de algumas habitações, permitindo às pessoas voltar às suas casas.

Ajudar uma população em sofrimento

Um conjunto de crises recentes tem afetado o Líbano, um país que teve os seus tempos áureos no início do século XX, quando Beirute chegou a ser conhecida como a "Paris do Oriente". Destino de migrantes provenientes de países vizinhos, o país acumulou vulnerabilidades que afetam a população local e muitos dos que chegam de fora. Cinco meses antes da explosão no porto de Beirute, a Covid-19 chegou em força, aumentando a pressão sobre uma região em crise política, e expondo ainda mais as suas fraquezas estruturais.

Para minimizar o sofrimento da população, a UE disponibilizou apoio humanitário e financiamento, uma ajuda que estendeu à comunidade síria que tinha procurado o Líbano como porto de abrigo numa fuga massiva à guerra. Foram mais de 670 milhões de euros para suprir as necessidades básicas de libaneses e sírios, aplicados ao longo do ano de 2020, e que serviram também para apoiar as vítimas da explosão de Beirute. No terreno, a UE contou com a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (ACNUR) e com o Programa Alimentar Mundial. Este financiamento faz parte dos mais de 716 milhões do fundo de emergência com que os países da UE contribuíram para a crise de refugiados no Líbano desde 2011. Hoje, os refugiados sírios representam cerca de 20% da população libanesa, o maior rácio de migrantes-população do mundo.

PUB

São programas como estes que ajudaram Josephine e Salim a voltar à sua casa, assim como apoiaram centenas de milhar de refugiados em todo o país, como é o caso de Ramadan Mustafa Kalzi, um refugiado de Aleppo que perdeu o emprego devido à pandemia. O apoio da UE permitiu-lhe evitar a expulsão do país e continuar a alimentar a família.

Para contribuir para a consciencialização dos europeus sobre o impacto da pandemia nas regiões mais vulneráveis do mundo, a UE lançou ainda a campanha #safertogether, que visa também demonstrar uma pequena parte do trabalho de apoio realizado pelas instituições europeias. O desafio foi lançado à agência fotográfica MYOP, que colocou em campo um grupo de fotógrafos de renome, e que deu origem a cinco reportagens fotográficas que dão rosto a pessoas como Aisha, viúva, refugiada da Síria, que vive no Líbano há cinco anos.

Atualmente, Aisha toma conta de dez crianças sem qualquer ajuda, tendo visto a sua situação de vulnerabilidade piorar com a pandemia. Antes da Covid-19, as crianças faziam pequenos trabalhos em quintas e ajudavam a completar o rendimento familiar. Agora, impedidas de fazê-lo, a viúva viu-se obrigada a recorrer à ajuda da UE, através de um programa que apoia o pagamento da renda de casa e contribui para que as crianças se mantenham saudáveis e seguras.

Os fotógrafos da MYOP visitaram vários outros países onde a UE está a trabalhar para garantir a proteção, o acesso a abrigos, assistência e apoio humanitário. As histórias de Josephine e Salim, de Ramadan Kalzi ou Aisha são apenas algumas entre as muitas captadas pelas suas lentes. São vidas que, com a ajuda das câmaras, deixam de ser anónimas, ganham rosto e representam uma pequena gota de esperança num oceano de infelicidade.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG