Espanha

A face cada vez mais visível da extrema-direita espanhola

A face cada vez mais visível da extrema-direita espanhola

Primeiro em Barcelona, agora em Valência. Em dois dias, duas manifestações, uma contra a independência da Catalunha e outra sobre a identidade valenciana, foram marcadas pela presença de vários elementos da extrema-direita espanhola, que exibiram simbologia nacionalista e agrediram outros manifestantes.

No domingo, milhares de pessoas juntaram-se nas ruas de Barcelona para se manifestaram contra o independentismo catalão, a favor da unidade de Espanha. No desfile, apenas foram autorizadas as bandeiras oficiais de Espanha, Catalunha e União Europeia, mas há quem tenha introduzidos outros símbolos não permitidos.

Algumas centenas de manifestantes, com ligações à extrema-direita espanhola, levaram para o protesto bandeiras com simbologia do tempo do franquismo e vários símbolos nacionalistas.

A juntar aos símbolos ostentados pelas principais ruas da capital catalã, ouviram-se fortes palavras de ordem anti-independentista. Imagens de pessoas com camisolas da seleção espanhola, tatuadas com símbolos nazis e a fazer saudações relacionadas com movimentos nacionalistas, foram partilhadas nas redes sociais e chamaram a atenção de jornalistas e internautas.

Um utilizador da linha de metro da capital catalã filmou o momento em que uma pessoa foi violentamente agredida por um grupo de nacionalistas. Os Mossos d'Esquadra já estão a investigar o caso.

Cenas de violência repetem-se em Valência

A tradicional manifestação, organizada por partidos de esquerda, que todos os anos se realiza no dia 9 de outubro, no Dia da Comunidade Valenciana, ficou marcada por vários desacatos. A marcha em defesa da língua valenciana, acompanhada pela polícia, teve que mudar a rota devido a ameaças de vários grupos de extrema-direita.

Logo no início do caminhada, os participantes foram rodeados por dezenas de pessoas que participavam numa contramanifestação não autorizada pelo governo da Comunidade Valenciana. Foi nesse momento que se registaram confrontos entre simpatizantes da extrema-direita e da esquerda independentista. Nem um colaborador gráfico do jornal "El País" escapou à violência dos membros do grupo de extrema-direita e ficou ferido.

Devido à violência dos confrontos, a Polícia Nacional teve que intervir e carregou sobre os participantes do protesto ilegal. Às redes sociais chegaram imagens que demonstram uma verdadeira batalha campal entre independentes e membros da extrema-direita.

A insistência deste grupo de manifestantes não autorizados obrigou mesmo a polícia a alterar o percurso da manifestação. De acordo com o "El País", com cânticos de "sou espanhol, espanhol, espanhol", ou "somos valencianos, nunca catalães", a contramanifestação, onde abundavam bandeiras da região, espanholas e vários símbolos nacionalistas, perseguiu o protesto oficial.

Ao diário espanhol, um representante da Polícia de Valência assegurou que não houve detidos, mas que alguns partidos políticos, que convocaram a manifestação autorizada, pediram a demissão do delegado do Governo, Juan José Moragues, por não autorizar a segurança do protesto.