Tratamento

A hidroxicloroquina: Trump já não toma e a OMS suspendeu os ensaios clínicos

A hidroxicloroquina: Trump já não toma e a OMS suspendeu os ensaios clínicos

A hidroxicloroquina, um fármaco usado para prevenir e tratar a malária, tem sido defendida como uma arma na luta contra a covid-19, mas a OMS suspendeu os ensaios clínicos que pretendiam estudar a sua eficácia na luta contra o novo coronavírus.

Donald Trump e Jair Bolsonaro são dois dos defensores da hidroxicloroquina, uma substância que, de acordo com um estudo publicado na revista científica "The Lancet", aumenta o risco de morte.

O presidente brasileiro mudou o protocolo de saúde do país para permitir a utilização da cloroquina, num anúncio feito no Twitter, mas desde cedo que a comunidade científica se mostrou preocupada com a sua utilização.

Terá sido essa uma das razões que levou o ex-ministro da Saúde brasileiro a abandonar o cargo, apesar de não o admitir. "Não foi a cloroquina, foi política", explicou Nelson Teich, acrescentando que havia "uma diferença em como abordar o problema" entre si e o presidente brasileiro.

Esta segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que ia parar temporariamente os ensaios clínicos com a hidroxicloroquina.

"Os dados dos estudos observacionais [como o do Lancet] podem ser enviesados. Queremos usar [a hidroxicloroquina se for segura e eficaz, se reduzir a mortalidade e os internamentos e se os benefícios forem mais do que os danos", afirmou a cientista sénior da OMS Soumya Swaminathan.

Donald Trump disse no domingo que deixou de tomar o fármaco.

O presidente norte-americano tinha admitido que tomava há cerca de duas semanas hidroxicloroquina depois de os médicos lhe terem falado dos possíveis benefícios do tratamento, mas reviu a sua decisão.

"Já acabei, já acabei. E, já agora, continuo vivo. Pelo que sei, ainda aqui continuo", afirmou.

Trump tinha defendido a polémica droga durante semanas, apesar de os investigadores criticarem a sua utilização e duvidado da sua eficácia para prevenir ou tratar a covid-19.

Os EUA compraram 29 milhões de doses do fármaco e Trump, apesar de já não o tomar, continua a dizer que há "sinais muito fortes e poderosos" da sua potencial eficácia.

Uma visão criticada pela comunidade científica que sempre alertou para a falta de evidência que existe para optar por tal tratamento.