II Guerra

A história das adolescentes holandesas que seduziam e matavam nazis

A história das adolescentes holandesas que seduziam e matavam nazis

Três adolescentes holandesas ficaram para a história pelo papel ativo que tiveram na resistência aos nazis, durante a II Guerra Mundial. Seduziam soldados de Hitler e colaboracionistas, que eram depois mortos.

Freddie, de 14 anos, Truus Oversteegen, de 17 acabados de fazer, e Hannie Schaft, de 19, entraram para a resistência holandesa pouco tempo após a invasão alemã da Holanda, em 1940.

Criadas por uma mãe solteira com fortes convicções antifascistas, as irmãs Oversteegen trabalharam de perto com Hannie Schaft, numa célula da resistência composta por apenas sete pessoas, mas que causou muitos danos aos alemães durante a II Guerra Mundial.

A história destas mulheres, que seduziam nazis e colaboracionistas holandeses para depois os matar, é agora recordada no livro de Sophie Poldermans "Seduzindo e Matando Nazis - Hannie, Truus, e Freddie: Heroínas Holandesas da II Guerra Mundial".

"Estas mulheres nunca se consideraram heroínas", diz Sophie Poldermans, que é também uma ativista dos direitos humanos na Holanda, e que privou com as irmãs Oversteegen durante 20 anos, antes de decidir escrever o livro. "Eram extremamente dedicadas e acreditavam que não tinham opção senão juntar-se à resistência. Nunca se arrependeram do papel que tiveram durante a guerra", acrescenta a autora.

De protetoras de judeus a assassinas de nazis

As adolescentes, cuja missão principal era ajudar e proteger famílias judaicas na Holanda, tinham frequentemente como missão resgatar crianças de origem judia das mãos dos nazis.

Começaram por ter como missão principal roubar documentos de identificação holandeses para ajudar judeus perseguidos pelos nazis, mas depressa subiram na hierarquia da resistência local, assumindo-se como um dos maiores espinhos cravados na pele dos alemães.

Hannie Schaft, a mais velha, aprendeu alemão para melhor levar a cabo as missões que lhe eram destinadas. Tinha cabelo ruivo e uma cara bonita e pintava os lábios de vermelho vivo. Nos bares da cidade de Haarlem, onde residia, seduzia soldados alemães ou colaboracionistas holandeses, que depois eram mortos pela resistência.

Esta forma de atuação foi adotada também pelas irmãs Oversteegen, que usavam maquilhagem para parecerem mais velhas. Encantados com a beleza das jovens, os nazis, alemães ou holandeses, acompanhavam-nas para os bosques nas redondezas, onde eram mortos, normalmente, por colegas das jovens, escondidos no arvoredo.

Muitas vezes eram as próprias jovens que eliminavam os alvos. "Eram assassinas, mas tentaram manter-se humanas. Disparavam sempre pelas costas para eles não perceberem que iam morrer", recorda a autora do livro.

As encantadoras de nazis não se ficavam por este método. São conhecidos os casos das mortes em andamento, em que usavam a bicicleta para fugir do local após eliminarem um alvo.

As três adolescentes holandesas

Freddie, a mais nova, tinha apenas 14 anos quando começou a trabalhar para a resistência holandesa. Passava por ser estudante e aproveitava esta imagem para servir de correio e levar informações durante a ocupação.

Truus tinha 17 anos acabados de fazer quando a Holanda foi ocupada. Um dia, viu um soldado alemão pegar numa criança judia pelas pernas e bater com ela na parede, até morrer. A jovem não se conteve. Sacou da arma e executou o nazi. "Não era uma missão, mas não me arrependo", contou, no livro agora publicado. "Estávamos a lidar com um cancro na nossa sociedade e tínhamos de o extirpar", acrescentou.

Hannie, de 19 anos, era uma jovem estudante quando os alemães irromperam pela Holanda. Participou em operações de sabotagem de instalações militares alemãs, bombardeamentos de linhas elétricas e de carregamentos de munições, mas foi por seduzir soldados nazis, levando-os para a morte que a jovem ruiva ficou conhecida e com a cabeça prémio durante o terceiro Reich.

Em pouco tempo, "a rapariga de cabelo vermelho" tornou-se um alvo prioritário para a Alemanha Nazi, por ordem do próprio Hitler. Perseguida, pintou o cabelo de preto e passou a usar óculos para escapar ao radar, até que foi capturada em março de 1945, numa operação de rotina.

Levada para a Casa de Detenção de Amesterdão, foi torturara pelos nazis e colocada numa solitária com um letreiro na porta: "morderin", assassina. Hannie foi executada a 17 de abril de 1945, apenas 18 dias antes da libertação da Holanda.

As famosas últimas palavras de Hannie

As últimas palavras, em frente ao pelotão de fuzilamento, ficaram famosas e ajudaram a fazer de Hannie uma lenda para os holandeses. "Disparo melhor que vocês, idiotas", terá dito após a primeira ronda de tiros do pelotão de fuzilamento, que a deixou apenas ferida. A amiga Truus diz, no livro, que Hannie morreu com coragem, olhando os executores nos olhos.

Hannie Schaft foi agraciada, a título póstumo, como a Medalha da Liberdade, atribuída pelo Comandante Supremo das Forças Aliadas, o norte-americano Dwight Eisenhower.

As irmãs Oversteegen foram agraciadas pelo primeiro-ministro holandês em 2014, que lhes atribuiu a Cruz da Mobilização Militar. Truus foi também homenageada no Yad Vashem, o memorial israelita às vítimas do holocausto, pelo papel que teve na defesa e proteção dos judeus holandeses durante a segunda Guerra Mundial, 25% dos quais terão morrido nos cinco anos de ocupação alemã.

Truus morreu em 2016, com 92 anos. A irmã mais nova, Annie, morreu com a mesma idade, dois anos depois.

Outras Notícias