Reino Unido

A luta antirracista a deitar por terra homens de pedra

A luta antirracista a deitar por terra homens de pedra

Deitar abaixo o racismo nunca foi levado tão à letra. Se houve já uma conquista do movimento "Black lives matter" ("Vidas negras importam") foi certamente a revisão de esculturas, edifícios e nomes de ruas que exaltam a escravatura e outras práticas racistas.

À medida que protestos, petições, campanhas e debates condenatórios de racismo e xenofobia se intensificam por todo o mundo, o futuro de vários homens de pedra vê-se ameaçado. No Reino Unido, autoridades locais começaram a remover estátuas por evocarem épocas históricas que devem ser sempre lembradas, mas não exaltadas, justificam. Edward Colston, vendedor de escravos do século XVII, caiu em Bristol; Robert Milligan, colega de ofício, caiu em Londres, onde o autarca Sadiq Khan já anunciou uma revisão de todas as estátuas da cidade, motivando ações semelhantes por todo o país. Um escrutínio como nunca se viu, dizem os especialistas em Cultura e História do Reino Unido.

Enquanto isso, mais de mil manifestantes em Oxford, amparados pelo presidente da Câmara, renovaram uma campanha de 2016 pela remoção de uma estátua de Cecil Rhodes, empresário e político do século XIX que apoiou medidas de apartheid na África Austral. E até há um site, o "Topple the Racists" ("Deitar abaixo os racistas"), que compila mais de 60 propostas de remoções. Umas mais consensuais, como a de Elihu Yale, vendedor de escravos, outras mais controversas, como a de Robert Peel, antigo primeiro-ministro inglês comemorado por todo o Reino Unido, que ajudou a criar o conceito moderno da força policial do Reino Unido que, dizem os ativistas "tem como alvo desproporcional as minorias étnicas e pobres do mundo inteiro há séculos".

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Francis Drake, famoso explorador e comerciante de escravos do século 16, responsável por três viagens à Guiné e Serra Leoa, que escravizaram entre 1200 e 1400 africanos entre 1562 e 1567 e que, de acordo com estimativas contemporâneas, terão significado a morte de cerca de três vezes mais, também está em risco. A petição que apela à remoção das estátuas em sua honra e que pede às escolas que reflitam melhor o seu papel no mercado de escravos já vai em 1400 assinaturas. Mesmo que a remoção não vá avante, um autarca já prometeu que o monumento da sua cidade passará a fazer-se acompanhar de informação para evitar os "erros do passado". E vários outros em discussão.

Remover para evitar ataques

Uma estátua de 12 anos de Robert Baden-Powell, fundador do movimento escutista, vai ser removida, em Poole, sul de Inglaterra, por constituir um potencial "alvo de ataque". O conselho foi dado pela Polícia, no sentido de proteger a estátua, disse a Autarquia, que reconhece alguns aspetos da vida do britânico "menos dignos de comemoração". O tenente-general do Exército britânico é por vezes acusado de racismo, fascismo, homofobia e de ter inclusivamente apoiado Adolf Hitler.

A remoção está marcada precisamente para esta quinta-feira, mas a quantidade de pessoas que tem rodeado a estátua, para travar a sua retirada, pode dificultar os trabalhos. Há muita gente a favor da manutenção da estátua: uma petição online em defesa da figura recebeu 10 mil assinaturas.

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