Ambiente

A luta contra o plástico protagonizada por uma criança de 10 anos

A luta contra o plástico protagonizada por uma criança de 10 anos

Tem 10 anos, vive em Fairbourne, Inglaterra, e já soma conquistas junto daqueles que se posicionam contra o uso excessivo de plástico. A campanha de Skye Neville contra os brinquedos descartáveis ganhou a atenção de políticos, ativistas ambientais e defensores das crianças. Mais recentemente fez com que o supermercado Waitrose deixasse de vender revistas infantis que tivessem anexado brinquedos de plástico de má qualidade. Sobre os responsáveis pelas publicações embrulhadas em plástico, lamentou: "Seria bom se conseguissem adquirir consciência sem terem de ouvir crianças de 10 anos como eu", explicou.

A campanha de Skye teve início há quatro meses e, além de já muito ter sido conquistado, nunca foi tão pertinente. Fairbourne, onde vive, já se encontra com barreiras de contenção para se proteger do avanço do nível do mar e de tormentas causadas por ciclones extratropicais. Além disso, em 2050 os mecanismos de contenção deixarão de funcionar e os habitantes deverão abandonar as suas casas. A possível destruição parcial da vila levará mil habitantes a serem realojados, segundo a National Geographic.

A viver de perto uma realidade onde as alterações climáticas são alarmantes, a jovem de 10 anos pôs pés a caminho. Além da promessa da Waitrose, conseguiu a atenção da Kennedy Publishers, que garantiu estar a reunir esforços para tornar as suas revistas mais sustentáveis e que os brinquedos oferecidos podem ser usados mais de uma vez. Contudo, e insatisfeita com a resposta, a jovem lançou uma petição que já soma mais de 4 mil assinaturas: "Estou ciente da quantidade de plástico que é produzido, descartado e que polui os oceanos e o meio ambiente. Este é o motivo pelo qual quero que as revistas se preocupem com o ambiente e deixem de oferecer brinquedos com as suas publicações", lê-se no comunicado.

Contudo, "[a petição] não inclui itens de artesanato educativos ou reutilizáveis, como lápis e canetas para pintar ou modelos colecionáveis ​​que devem ser usados ​​várias vezes ", explicou, segundo o The Guardian. A jovem, que assina várias revistas, desde The Week Junior, à Eco Kids Planet e a Horrible Histories, afirmou não sentir falta dos brinquedos. "O brinquedo mais irritante que eu já tive foi uma língua de borracha. Qual é que é o objetivo disto?", questionou sobre a utilidade dos artefactos. Sem um objetivo educacional ou uma preocupação ambiental, os anexos servem apenas um propósito: Marketing.

As personalidades políticas a parabenizar Skye fazem-se somar. Eluned Morgan, ministra da Saúde Mental, Bem-Estar e Língua Galesa, prometeu, no seguimento de uma chamada com a jovem de apenas 10 anos, procurar maneiras de o País de Gales conseguir contribuir para a redução do plástico produzido pelas revistas. Além disso, Neville conseguiu a atenção de outros membros do parlamento local, como Liz Saville Roberts, que apresentou uma moção, onde não só aplaudia a jovem pela "paixão pelas questões ambientais" como apelou ao governo para "encorajar as edições impressas a serem mais amigas do ambiente". Mas não ficou por aqui e até a cadeia de fast food McDonalds foi convidada a parar de colocar brinquedos no Happy Meal. Para a campanha, nem sempre fácil, a comissária das gerações futuras do País de Gales, Sophie Howe, comprometeu-se a ajudar.

O pai da jovem, Dave, disse estar orgulhoso do trajeto da sua filha. "Ela espalhou a palavra e atingiu um ponto em que o Waitrose reparou nela. É incrível o que ela conquistou. Ela demonstrou poder. Ela não cedeu. Espero que isso inspire outros jovens a perceberem que a sua voz pode ser ouvida se eles forem apaixonados por um determinado assunto", afirmou ao jornal britânico.

Solicitada a comentar, a Kennedy Publishing enviou uma declaração da Professional Publishers Association onde sublinhou estarem comprometidos a reduzir o plástico, sempre que possível e em todos os aspetos do ciclo de vida da revista. "Os brindes na capa são um elemento integrante da experiência da revista para muitos, como os presentes que complementam o conteúdo e proporcionam estímulos para a brincadeira, a criatividade e a aprendizagem. Todos os brinquedos na capa correspondem aos padrões de segurança do Reino Unido e a nossa pesquisa mostra que cerca de metade desses presentes ainda estão em uso 12 meses após a compra", avança o "The Guardian".

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG