"Serial killer"

Mulher mais odiada da Austrália pode ser inocente da morte dos filhos

Mulher mais odiada da Austrália pode ser inocente da morte dos filhos

É conhecida como a mulher mais odiada da Austrália. Foi condenada a 25 anos de prisão pela morte dos quatro filhos, no espaço de 10 meses. O caso que chocou o país vai agora ser revisto.

Já passaram 15 anos desde que Kathleen Folbigg foi considerada culpada pela morte dos quatro filhos menores. O caso que estava adormecido pode novamente entrar em discussão. Vai ser reavaliado cinco anos depois de a equipa de advogados da mulher ter colocado em causa alguns dos pontos chaves da acusação.

A petição aponta dúvidas às provas forenses que constituem grande parte do caso e comportam declarações de testemunhas e profissionais médicos. Uma conversa telefónica entre a mulher, que já cumpriu grande parte da pena a que foi condenada, e uma amiga foram transmitidas na televisão australiana.

No telefonema, a mulher explica as notas que escreveu no seu diário, durante o período de luto pela morte dos filhos. Os textos do diário representam uma importante parte da acusação.

O marido da condenada, Craig, juntou-se ao caso depois de ter encontrado os diários da mulher. "Eu sou filha do meu pai", escreveu a mulher numa das notas. Folbigg tinha apenas 18 anos quando o pai esfaqueou a mãe numa rua de Sydney.

No telefonema emitido pela "Australian Story", Folbigg explica que escreveu aquilo no "sentido de se culpar a ela própria". "Eu culpo-me por tudo. Eu sinto-me responsável porque, como mãe, é isso que uma pessoa faz", explicou.

Numa outra entrada do diário, a mulher escreveu que a filha Laura tinha sido "um bebé bem-humorado". O corpo da menina foi encontrado em cima da cama quando tinha apenas 19 meses de idade. "Sinto-me como a pior mãe do Mundo. Com medo, ela vai deixar-me tal como a Sarah fez. Eu sei que era cruel com ela algumas vezes e ela foi embora. Com uma pequena ajuda", escreveu.

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Foi precisamente esta última frase que a acusação usou para apontar responsabilidades à mulher pela morte da própria filha. Na conversa telefónica, Folbigg justifica o que escreveu: "Estava a referir-me a Deus ou a outra entidade superior. Alguma coisa de estranho, que eu não percebia, estava a acontecer".

Em declarações ao mesmo programa televisivo, a mulher expressou que estava frustrada pela demora na revisão do caso, que deu entrada nos tribunais há três anos.

O julgamento da mulher estendeu-se por mais de sete semanas. Durante o processo, ficou provado que a mulher sufocou e matou todos os quatro filhos. A irmã adotiva de Folbigg testemunhou contra a mulher e o marido, quando descobriu o diário, também se juntou à acusação.

Com os novos dados em jogo, o caso que abalou a Austrália pode ser reaberto. Para Stephen Cordner , especialista australiano em investigação forense, não há provas suficientes de que a mulher seja a responsável pela morte das crianças.

Depois de analisar todo o material que serviu de base à acusação, a pedido dos advogados da mulher, o investigador concluiu que dois dos filhos terão morrido de Síndrome de Morte Súbita Infantil. Outro dos rapazes terá morrido após um ataque de epilepsia. Laura, a última criança a morrer, poderá ter sucumbido na sequência de uma miocardite.

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