Tribo isolada

A perigosa missão de resgatar o corpo do missionário morto pelos Sentinela

A perigosa missão de resgatar o corpo do missionário morto pelos Sentinela

A polícia indiana está a tentar resgatar o corpo do jovem norte-americano, que terá sido assassinado por membros de uma tribo, na passada semana. Os Sentinela não estão a facilitar a aproximação.

As autoridades conseguiram chegar a 400 metros da ilha de Sentinela, onde vivem os Sentinela, uma tribo conhecida por não facilitar o contacto com o exterior e que, na passada semana, terá assassinado John Allen Chau, um missionário norte-americano, que quebrou as regras que impedem que estrangeiros se aproximem do local.

"Eles ficaram a olhar para nós e nós tivemos a oportunidade de os observar", disse, citado pela "Sky News", Dependra Pathak, da polícia das Ilhas de Andamão e Nicobar. O barco que transportava as autoridades teve mesmo que dar meia volta para evitar confrontos com os membros da tribo.

Seis pescadores e uma outra pessoa foram detidos, depois de a polícia ter confirmado que foram pagos por John para o levar até perto da ilha. "Conseguimos mapear a área com a ajuda desses pescadores. Ainda não vimos o corpo, mas conhecemos a área em que se acredita que ele esteja enterrado", disse o polícia à "BBC".

Antes de as autoridades avançarem para mais uma tentativa de recuperar o corpo do estudante norte-americano, vão tentar "estudar as nuances relacionadas com a conduta e o comportamento do grupo, particularmente neste tipo de situações de comportamentos violentos".

Sophie Grig, uma especialista que tem estudado a tribo, explicou à "Sky" que "não acredita que exista uma possibilidade segura, tanto para a tribo como para as autoridades, de recuperarem o corpo".

A polícia está curiosa a tentar compreender se os membros da tribo repetem o mesmo comportamento de 2006, quando assassinaram dois pescadores ilegais que se aproximaram da costa da ilha. Uma semana depois das suas mortes, os corpos dos pescadores foram fixados a estacas de bambo virados para o mar. "Criaram uma espécie de espantalho", contou Dependra.

Duplo dilema

A polícia enfrenta agora um verdadeiro dilema. Enquanto os pais têm insistido com as autoridades para que o corpo do rapaz seja resgatado, vários especialistas alertam para as dificuldades da missão.

Pankaj Sekhsaria, especialista em direitos tribais, admitiu que é praticamente impossível recuperar o corpo do norte-americano, acrescentando, ainda, que o melhor é mesmo não tentar chegar perto da ilha. "Vai criar um conflito com a comunidade local", disse, citado pela AFP.

Também Anup Kapoor, antropologista da Universidade de Deli, explicou que para entrar em contacto com a tribo vai ser necessário demonstrar que "estão todos na mesma linha". "Pouco se sabe sobre eles. O que sabemos é que foram mortos pelos ingleses e japoneses. Eles odeiam qualquer pessoa que se vista de uniforme. Se virem alguém assim, matam logo", alertou. "Deixem-nos estar, a eles e ao ambiente onde estão, em paz, ou eles ficarão mais agressivos."