Índia

A polémica construção da maior estátua do mundo que custa 450 milhões

A polémica construção da maior estátua do mundo que custa 450 milhões

O governo do Estado de Maharashtra, na Índia, confirmou que vai gastar mais 7,8 milhões de euros do que se esperava, de forma a construir a estátua mais alta do mundo, dedicada ao rei hindu Shivaji.

"A proposta do Templo da Primavera de Buda (na China) tinha 208 metros de altura e o nosso memorial ia ter 210 metros. Mas as autoridades chinesas fizeram algumas mudanças na base da estátua, elevando-a para 210 metros. Isso levou-nos a rever o nosso projeto e aumentar a altura para 212 metros", declarou Devendra Fadnavis, chefe do executivo estatal, citado pelo jornal espanhol "El País".

A estátua, que será um memorial a Shivaji, rei hindu do século XVII, vai custar mais de 450 milhões de euros a um país com elevados níveis de pobreza. O plano prevê a edificação de uma figura equestre sobre uma ilha artificial nas margens de Bombaim, capital de Maharashtra e epicentro financeiro da Índia.

"Tem que ser a estátua mais alta do mundo. Será uma grande inspiração para as próximas gerações, como a Estátua da Liberdade", disse Sachin Chivate, subsecretário de obras públicas do governo regional.

Duas vezes mais alto que a estátua de Nova Iorque, o monumento também será construído numa ilha no Mar da Arábia, em frente a Marine Drive, a avenida turística de Bombaim.

O projeto gerou polémica, não só devido aos custos, tendo em conta que, no país, milhões de pessoas vivem na pobreza, mas também por causa da natureza da personagem que honra e do preconceito das sensibilidades político-religiosas no país asiático.

O principal elemento do memorial é uma figura a cavalo de um rei do século XVII. Guerreiro hindu, Shivaji lutou contra o Império Muçulmano até formar o reino Maratha, que chegou a ocupar grande parte da atual Índia até a invasão colonial britânica. Apesar da relevância histórica, os opositores à construção da estátua criticam que se trata de um projeto populista que visa ganhar votos da comunidade de origem de Shivaji, que continua a ser uma maioria no Estado.

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Embora seja a cidade mais cosmopolita da Índia, Bombaim é também um centro de confrontos entre o partido regionalista do Shiv Sena e minorias, que enfrentam diferentes formas de discriminação, incluindo a impossibilidade de alugar apartamentos em certas áreas da megalópole indiana.

O projeto é "um desperdício criminoso de fundos públicos quando há pessoas a viver na pobreza e a lutar para sobreviver", diz um dos muitos processos que exigem o seu cancelamento.

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