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Pérola do Adriático

A ponte da reunificação histórica da Croácia

A ponte da reunificação histórica da Croácia

Travessia sobre a baía de Neum contorna o corredor bósnio de acesso ao Adriático e restabelece ligação à cidade medieval de Dubrovnik.

Três décadas após o desmembramento da Jugoslávia e da criação dos labirintos geográficos criados pela guerra nos Balcãs, a Croácia inaugurou a ponte que contorna a Bósnia e que lhe dá novamente caminho direto à cidade medieval de Dubronnik, a "Pérola do Adriático", que estava isolada do resto do país pelo corredor bósnio de acesso ao mar. Se reaproxima a meca do turismo, a obra também ressuscita velhos antagonismos e novas controvérsias, como as suscitadas pelo facto de ter sido subvencionada pela União Europeia e construída por uma empresa chinesa.

Contornada por todos os lados pela vizinha Croácia e sem mar à vista que não seja por uma nesga para o Adriático - através do corredor de Neum, uma faixa de 25 quilómetros, muito relutantemente admitida por Zagreb -, a Bósnia e Herzegovina era passagem obrigatória (à entrada e à saída) para milhões de turistas que visitavam Drubovnik. Até que chegou "um dia histórico para a Croácia", como lhe chamou o primeiro-ministro, Andrej Plenkovic, a referir-se ao "projeto de uma geração, objeto de orgulho".

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À cerimónia oficial da inauguração, decorrida na terça-feira, nem faltou o primeiro-ministro chinês. Em alocução gravada, Li Keqiang considerou que a Ponte de Peljesac "simboliza a cooperação entre a China e a União Europeia". A obra tem um custo estimado de 429 milhões de euros e foi financiada por Bruxelas em 85%.

2,4 quilómetros

Para os 90 mil habitantes de Drubovnik e para os milhões de turistas que visitam a cidade, a nova ponte põe fim às longas filas e às horas de espera para entrada na Bósnia e reentrada na Croácia, dez quilómetros adiante. Agora, bastarão alguns minutos para percorrer os 2,4 quilómetros que ligam Brijesta, na península, a Komarna. È o fim de um calvário para os residentes da pitoresca região, também conhecida pelas vinhas, pelas praias de seixos, batidas pelo vento e por isso tão frequentadas pelos surfistas.

Fazia quase duas décadas que a Croácia tinha projetado a ponte para contornar a cidade bósnia de Neum. Os primeiros trabalhos foram em 2007, mas os estaleiros foram logo fechados, por falta de financiamento. Quatro anos após a adesão à União Europeia, em 2013, o país pôde, finalmente, obter os fundos de Bruxelas e retomar o projeto, que teve um custo total de 420 milhões de euros, incluindo os acessos ao tabuleiro. A empreitada foi realizada pelo consócio chinês "China Road and Bridge Corporation" e entregue nos prazos previstos.

Projeto revisto

O projeto foi muito contestado pelos bósnios. O Governo Sarajevo advertiu que podia afetar ou mesmo impedir a circulação de navios de maior envergadura na baía de Neum, Finalmente, Zagreb aceitou subir o vão da ponte mais 55 metros, apesar de a revisão do projeto ter agravado o preço da obra.

A 23 de junho último, um navio de 237 metros de comprimento e 48 de largura, oriundo das Bahamas, atracou no porto bósnio sem qualquer obstáculo e afastou de vez os receios sobre os efeitos da obra croata no tráfego marítimo na baía de Neum.

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