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A táctica usada para evitar tragédias com bombas enviadas por correio

A táctica usada para evitar tragédias com bombas enviadas por correio

Hillary Clinton, Obama e a CNN eram os destinatários das bombas enviadas por correio que, na quarta-feira, assustaram os EUA. Já esta quinta-feira, Joe Biden, antigo número dois de Obama, e Robert de Niro também terão sido visado no ataque cujo responsável é ainda desconhecido. Em comum, nenhum dos destinatários recebeu os pacotes com explosivos.

"Os serviços secretos intercetaram dois pacotes suspeitos", explicou, num comunicado, a agência de segurança norte-americana, referindo-se aos pacotes armadilhados enviados para a casa dos Clinton e de Obama. "Os pacotes foram imediatamente identificados durante os procedimentos rotineiros de triagem de correspondência. Os protegidos não receberam os pacotes nem correram o risco de recebê-los", pode ler-se o comunicado.

Prevenção para evitar tragédia

O serviço de Inspeção Postal dos EUA tem uma estratégia montada para evitar que este tipo de ataques tenha consequências verdadeiramente trágicas. "Os inspetores postais investigaram cerca de 16 bombas enviadas por correio nos últimos anos. Em contraste, anualmente, o Serviço Postal processou mais de 170 mil milhões de itens de correspondência. Isso significa que as hipóteses que um envelope contenha uma bomba é de um em dez mil milhões", pode ler-se.

Ainda assim, todos os cuidados são poucos e qualquer tipo de ameaça é levada a sério. As encomendas com excesso de peso, por exemplo, sugerem que o remetente procurou evitar o contacto com os funcionários dos correios de uma agência local. Normalmente, as encomendas suspeitas tendem a seguir com caligrafia distorcida, na tentativa de evitar a criação de qualquer tipo de pista para as autoridades seguirem. Fios salientes, formas pouco comuns e manchas de óleo são outros indícios que merecem a atenção das autoridades.

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A imagem divulgada pela CNN, em que mostra o pacote que lhes era dirigido, corresponde a alguma dessas características.

Raio-x e cães para travar ameaça

Mesmo os pacotes que exteriormente não apresentam grandes sinais de risco são facilmente detetados. À revista "Wired", Michael O"Neil, que trabalhou na Polícia de Nova Iorque, explicou alguns dos procedimentos seguidos pelas equipas que trabalham na área do contraterrorismo. Um dos primeiros passos é passar o material suspeito por uma máquina de raio-x. Se o operador da máquina detetar algo suspeito tem que reportar o incidente a uma equipa de técnicos que vai analisar o material e avaliar a ameaça.

Contudo, cada empresa tem a sua própria forma de trabalhar, sendo que o nível de ameaça pode variar consoante a empresa. O especialista explica ainda que é comum encontrar cães pisteiros treinados para identificar qualquer tipo de pacote suspeito. Segundo o especialista, todo o correio que é enviado para o complexo do Capitólio e para pessoas sob proteção dos Serviços Secretos, como é o caso da família Clinton ou dos Obama, é analisado num local externo antes de ser remetido para o destino final.

O processo de investigação para encontrar quem é o remetente é um dos pontos-chave no trabalho das equipas de segurança. "Primeiro, fazem o seguimento da encomenda, tentando obter qualquer impressão latente. Dependendo da construção do dispositivo, há pessoas que deixam uma assinatura no material", refere O"Neil.

Ainda recentemente, a cidade de Austin, no Texas, viveu dias de terror quando um homem enviou várias cartas armadilhadas, antes de se suicidar. Para além da análise do ADN, a combinação entre a informação retirada das torres telefónicas e as imagens das câmaras de vigilância de uma empresa de correios, ajudaram as autoridades a identificar o suspeito.

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