EUA

A vida secreta de uma agente da CIA e as revelações que assustam a agência

A vida secreta de uma agente da CIA e as revelações que assustam a agência

Uma antiga agente da CIA revelou alguns dos segredos de uma das mais famosas agências de espionagem do mundo. Um livro envolto em polémica e que torna claro alguns dos principais riscos por que passam os agentes.

Amaryllis Fox deu à luz a sua filha mais nova, Zoe, enquanto estava a trabalhar como agente da CIA, em Xangai, na China, disfarçada de negociadora de arte. O grau de compromisso com a agência norte-americana é de tal modo elevado que numa das missões levou a criança para uma reunião com traficantes de armas. Com o bebé preso ao peito, teve que seguir rotas desconhecidas para se afastar de uma pessoa que a perseguia.

Durante os oito anos em que trabalhou para CIA, Amaryllis, que agora vive na Califórnia e trabalha como analista para a CNN e BBC, procurou bombas nucleares da era soviética, escondidas em malas, tão poderosas que tinham a capacidade de destruir uma área semelhante a Manhattan, Nova Iorque. Trabalhou em missões ultrassecretas para impedir que a Al-Qaida tivesse acesso a armas nucleares. Mas tudo teve um custo.

A pressão da CIA para a revelação de segredos

Aquilo que para muitos é uma vida de sonho teve um preço elevado para a antiga agente. Foi casada três vezes. A primeira com o namorado dos tempos da universidade, a segunda com outro agente da CIA e está agora novamente comprometida.

Entre as várias confissões, assume que nem sempre foi fiel aos seus companheiros. A vida da agente vai ser retratada numa série que a Apple lançará no seu serviço de streaming, depois da publicação, no dia 15 de outubro, do livro "Life Undercover: Coming of Age in the CIA".

As revelações feitas pela agente neste livro estão a provocar reações controversas no seio da própria agência. Tudo porque, a confirmar-se a veracidade das revelações feitas na obra, são revelados alguns segredos que apenas os agentes treinados conhecem.

Entre eles está um que envolve um simples cartão da Starbucks. A antiga agente explica que é dado um destes cartões com saldo a informadores. Para marcar um encontro, o informador deve fazer um movimento nessa conta, que pode ser verificado online pelo elemento da CIA. A antiga agente revela, ainda, que algumas das técnicas usadas durante a Guerra Fria continuam a ser praticadas pelos elementos da agência.

Da universidade para a CIA

A norte-americana, nascida em Nova Iorque, filha de uma inglesa e de um norte-americano, estudou terrorismo e conflito na Universidade Georgetown, em Washington, onde acabou por ser recrutada para a CIA.

Os agentes, responsáveis pela identificação de potenciais agentes, ficaram impressionados com um algoritmo que a então jovem mulher desenvolveu e que lhe permitiu analisar cada ataque terrorista que aconteceu nos últimos duzentos anos.

Pouco depois foi colocada numa missão no Iraque onde um dos seus primeiros trabalhos foi ver um vídeo com decapitações para tentar identificar a localização.

Identidade falsa para proteção e cave à estilo "James Bond"

Amaryllis fez parte de um dos grupos de agentes envolvidos em missões de maior risco. Ao contrário do que acontecia com alguns dos elementos, que regressavam à base segura todas as noites, a mulher estava verdadeiramente por sua conta.

Por isso, teve a necessidade de criar identidades falsas para se proteger. Os documentos falsos eram entregues por um agente especial desconhecido de todos os outros elementos. Entre as revelações, a antiga agente explica que teve reuniões num laboratório, semelhante ao dos filmes de 007, onde lhe foram dadas bolsas de tecido com compartimentos secretos e óculos de disfarce.

Vida familiar em primeiro lugar

Foi em 2009, quando tinha 29 anos, que decidiu colocar a vida pessoal e a filha em primeiro lugar, sem antes ser pressionada por alguns dos principais rostos da agência.

Casou, em 2018, com Bobby Kennedy, descendente dos Kennedy, três anos mais novo, com quem teve um filho no início do ano

Outros Artigos Recomendados