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Abdessamad Dialmy: "O Ocidente está-se nas tintas para as muçulmanas"

Abdessamad Dialmy: "O Ocidente está-se nas tintas para as muçulmanas"

Abdessamad Dialmy, de 71 anos, é marroquino, é sociólogo e já foi bastas vezes ameaçado por escrever o que escreve. O Islão, acredita, não é o culpado. Os muçulmanos é que são. E a guerra religiosa não existe. Eis uma conversa de fim de tarde que poderia durar dias.

Do sexo ao integrismo, passando pela política internacional a quem esse integrismo faz jeito e que se está nas tintas para a desigualdade em casa dos outros e indo até à extrema-direita europeia alimentada por uma América que não quer o estorvo da Europa unida no balanço do Mundo.

Dedicou-se ao estudo da (des)igualdade de género no Islão. O lugar da mulher está a mudar?
Mudou muito. Começou quando os franceses estavam no Norte de África. É o Ocidente que pergunta aos muçulmanos porque estão as mulheres enclausuradas, marginalizadas, porque só saem com véu. E os muçulmanos sentiram a necessidade de responder que a culpa não é do Islão, mas deles, dos muçulmanos. Sim. Disseram que o Islão é feminista, deu às mulheres os seus direitos, foi equitativo e justo, mas que os muçulmanos interpretaram-no mal. A partir dos anos 80, passámos a defender que, mesmo com o Islão bem aplicado, os direitos das mulheres são insuficientes. Começámos a falar de igualdade entre homens e mulheres, coisa que era praticamente inconcebível antes. Até à grande reforma de 2003-4 (em Marrocos), com conquistas como suprimir o termo "coito" do código da família. O contrato de casamento era o "contrato de coito": o homem fica com o direito de coitar a mulher-objeto. A palavra "obediência" também saiu, a mulher já pode pedir o divórcio com base na simples incompatibilidade de caráter. Agora, a luta é pelo direito de herança. Na Tunísia, a lei já foi votada.

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