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Acabou o estado de graça dos Verdes alemães

Acabou o estado de graça dos Verdes alemães

Acabou o estado de graça dos Verdes alemães. De acordo com a sondagem mais recente da televisão pública ZDF, e quando estamos a escassos três meses das eleições, são de novo os cristãos-democratas da CDU/CSU (que já não contam com Angela Merkel como candidata) quem lidera a corrida (29%). O partido ecologista volta ao segundo lugar (22%) e os sociais-democratas do SPD mantêm-se em terceiro (14%).

Na primeira metade do ano, assistiu-se a uma subida fulgurante dos Verdes nas projeções de voto do barómetro mensal da ZDF. Ao ponto de, em maio passado, e coincidindo com a escolha de Annalena Baerbock como candidata a chanceler, atingirem os 28% de intenções de voto, mais três do que a União - como é conhecida na Alemanha a parceria entre a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU) da Baviera.

O "Politbarometer" da Wahlen para a estação pública, que tem uma margem de erro de três pontos percentuais, já tinha detetado uma inversão da tendência no início de junho e confirma-a agora: os conservadores voltam ao primeiro lugar, com 29% (mais quatro pontos do que em maio passado), parecendo ultrapassada a crise de confiança provocada, em parte, pelos efeitos da terceira vaga da pandemia, mas também pela prolongada e dura luta pela nomeação do candidato conservador a chanceler: Armin Laschet, líder do Estado da Renânia do Norte - Vestefália (o mais populoso da Alemanha) acabou por prevalecer e a sua avaliação melhora a cada mês que passa.

Bloco central perde força

Mesmo com esta dança entre primeiro e segundo, há um dado que se mantém estável nas sucessivas vagas do barómetro: não deverá haver condições para repetir a coligação preto-vermelho, ou seja, um Governo liderado pela CDU/CSU, com a participação dos sociais-democratas. O bloco central (os alemães usam o acrónimo GroKo, que significa grande coligação) não teria os votos suficientes, somando nesta altura 43 pontos percentuais (menos 10 do que nas eleições de 2017).

Um resultado nas urnas, em setembro, parecido com o da sondagem deste final de junho seria suficiente, isso sim, para uma coligação nunca testada, a nível federal, entre conservadores e ecologistas (somariam 51 pontos). Mas há outras opções em cima da mesa: a junção dos liberais do FDP (que estão agora com 10%) à atual coligação CDU/SPD (somariam 53 pontos). Ou uma outra novidade, um pouco mais improvável e frágil face aos resultados atuais, que juntasse verdes, sociais-democratas e liberais (somariam 46 pontos).

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De fora das contas para coligações de Governo em Berlim estão os outros dois partidos capazes de eleger deputados no Bundestag (é preciso superar a barreira dos 5% para ter representação no Parlamento federal): a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita, marca agora 10% (menos três do que nas últimas eleições), mas é alvo de um cordão sanitário que a mantém afastada do Poder, mesmo nos estados do Leste, onde tem os seus principais bastiões; enquanto A Esquerda (Die Linke) está nos 7%, menos dois do que há quatro anos.

Favoritismo para a CDU/CSU

São várias as hipóteses numas eleições que permanecem em aberto, como se percebe através de uma das perguntas que o "Politbarometer" introduziu este mês: 80% dos alemães acha que ainda não é claro quem será o vencedor (há quatro anos, e também a três meses das eleições, eram apenas 60%). Ainda assim, se for preciso apontar um favorito, a CDU/CSU está muito à frente de qualquer outro partido: 61% apostariam na vitória dos conservadores.

Acrescente-se que Armin Laschet, o sucessor de Merkel como candidato a chanceler, continua a ter um problema de credibilidade, mesmo que esteja em crescendo. São agora 47% os que o consideram um candidato adequado, contra 47% que duvidam das suas capacidades. Está pior do que o candidato do SPD, Olaf Scholz (49% confiam na capacidade do social-democrata para chanceler), mas bastante melhor do que Annalena Baerbock, dos Verdes (só 28% lhe dão o benefício da dúvida).

Jovens verdes, idosos conservadores

No entanto, e quando se pergunta aos alemães quem gostariam de ver como chanceler, limitando as escolhas aos três principais candidatos, é Laschet quem fica a ganhar (34%), à frente de Scholz (26%) e Baerbock (24%). Há, no entanto, um claro cisma geracional nestas preferências. Entre os eleitores mais jovens (até aos 30 anos) a relativamente jovem Annalena (tem 42 anos) é a preferida, com 56%. Entre os mais velhos (60 ou mais anos), Laschet domina, com 42%.

Na Alemanha, como noutras partes das democracias ocidentais, os eleitores não acreditam que as promessas de campanha sejam mantidas, após as eleições, por quem assumir a liderança do Governo federal - apenas 23% dos inquiridos dão o benefício da dúvida aos políticos, 75% duvidam. Os eleitores da CDU/CSU são os mais confiantes (e mesmo assim apenas 32%), enquanto os apoiantes dos radicais da AfD (88%) e dos liberais do FDP (84%) são particularmente céticos quando ao cumprimento das promessas.

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