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Adolescentes descobriram quatro planetas fora do sistema solar

Adolescentes descobriram quatro planetas fora do sistema solar

Kartik Pinglé, de 16 anos, e Jasmine Wright, de 18 anos, não terminaram o ensino secundário, mas já dão cartas na astronomia. Os estudantes descobriram quatro exoplanetas, isto é, planetas que giram em torno de outra estrela que não o Sol, a 200 anos luz da Terra. Essa revelação valeu-lhes a coautoria de um artigo científico revisto por pares no "The Astronomical Journal", uma publicação mensal da Universidade de Chicago Press, e o destaque da NASA no seu site.

"Lembro-me de chegar a casa e dizer (aos meus pais): 'Acho que descobrimos um sistema multiplanetário', mas não entenderam que aquilo era uma grande conquista", disse Wright, aluna da escola secundária de Bedford, em Massachusetts. Já kartik Pinglé, que frequenta a Cambridge Rindge and Latin School (Boston), destacou na sua experiência o reconhecimento, fruto da publicação do artigo.

Tansu Daylan, mentor da dupla e investigador pós-doutorado, considera que os jovens tinham "paixão, emoção e aptidão" certas para a investigação", revela a CNN. A relevância da descoberta é simples de explicar, segundo ele: "É um sistema com uma estrela brilhante, mais de três exoplanetas e pode ser estudado em comparação com o nosso próprio sistema solar".

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"Se estivermos a falar em estudar por comparação - ou seja, estudar a atmosfera dos planetas fora do sistema solar em torno de estrelas semelhantes ao sol - este é, provavelmente, um dos melhores objetos de estudo já conseguido", afirmou Daylan. Isto acontece porque, para os investigadores de exoplanetas, um dos pontos mais essenciais é encontrar um sistema onde a luz emitida pela estrela seja suficiente para que se consiga perceber o movimento dos planetas em torno dela, tal como acontece com a Terra em relação ao Sol.

Segundo uma publicação da NASA, as características de um dos planetas encontrado pela dupla são sobretudo as de uma "super-Terra terrivelmente quente, com mais de uma vez e meia o tamanho da Terra e com uma temperatura de superfície provável de mais de 1.500 Fahrenheit", o que equivale a 815,556 graus Celsius.

A pesquisa de Wright e Pinglé foi feita sob a alçada de um programa responsável por juntar alunos do secundário com cientistas de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), apelidado de Programa de Tutoria de Pesquisa de Alunos do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian.

Dois meses após terem iniciado a pesquisa, estes dois alunos encontraram um sistema multiplanetário, com planetas agora apelidados de HD 108236 B, C, D e E. Pinglé disse que, numa fase inicial do processo, começou por procurar algo único dentro dos dados da missão Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), da NASA, que possui um satélite espacial a orbitar a Terra", aponta a CNN.

Jasmine Wright, que diz sempre ter sido fascinada por astronomia, defende que "a idade não deve importar" para aqueles que, tal como ela e Pingé, querem tentar algo novo. "Não acho que alguém deva ter medo de pedir ajuda ou errar. É assim que crescemos como pessoas e aprendemos a aprimorar aquilo que amamos fazer", explicou. A jovem assumiu ter o desejo de que o seu futuro passe pela NASA. Para já, vai abraçar o próximo desafio que passa por um mestrado de cinco anos em astrofísica da Universidade de Edimburgo, onde foi recentemente aceite. Para Pinglé faltam alguns anos para terminar o ensino secundário, mas o estudante afirma também estar interessado na astrofísica.

A astroquímica Clara Sousa-Silva, diretora do programa, declarou que "a ciência é para aqueles que a praticam". "Existem muitos estereótipos sobre quem pode fazer ciência e como é que essa pessoa deve ser. As crianças podem fazer ciência com o treino e o suporte adequado", explicou.

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