Canárias

Afinal nem a "casa milagre" escapou à fúria do vulcão Cumbre Vieja

Afinal nem a "casa milagre" escapou à fúria do vulcão Cumbre Vieja

O "pequeno lugar no céu" do casal dinamarquês - onde as palmeiras simbolizavam os elementos da família - foi, afinal, engolido pelo manto de lava. "Precisamos de outro sinal de esperança", sublinha o fotógrafo que imortalizou "a casita".

O símbolo da resistência ao avanço da lava do vulcão Cumbre Vieja, na "Isla Bonita" de La Palma, nas Canárias, desapareceu. A "casa milagre", imortalizada pelo fotógrafo Alfonso Escudero por permanecer intacta num cenário envolvente de destruição, foi entretanto engolida pela lava.

O desaparecimento da "casita", como era conhecida pelo casal dinamarquês que a construiu, foi confirmado por Escudero ao jornal ABC. "Juntou-se às inúmeras casas que ficaram sob o manto do vulcão", lamentou, reconhecendo que é preciso, agora, "procurar outro sinal" que ajude a "não perder a esperança nestes dias difíceis para todos".

Segundo contou a filha dos proprietários, o casal descobriu que a residência tinha resistido à fúria da lava precisamente através das imagens captadas pelo drone do fotógrafo. Foi um momento de pura alegria. "Eles investiram muito naquela casinha. Compraram o terreno há 30 anos para construir um pequeno lugar no céu", contou Yenny Cocq, sublinhando ainda que as paredes de pedra foram erguidas, aos poucos, pelo pai e que as palmeiras do jardim simbolizavam "os seus filhos e netos".

A erupção do Cumbre Vieja começou a 19 de setembro e já obrigou mais de seis mil pessoas a abandonarem as suas casas. Dados do sistema de medição geoespacial Copernicus da União Europeia indicam que a lava destruiu 656 edifícios e cobriu 268 hectares da ilha. O impressionante fenómeno afetou o cultivo da banana e o turismo, as principais fontes de receita da ilha, já declarada zona de catástrofe.

Na terça-feira à noite, pelas 23 horas, a lava chegou ao mar, na zona conhecida como Playa de los Guirres. Este "encontro" era particularmente temido devido à produção de gases tóxicos. Mas os especialistas garantem que o vento favorável está a dissipar a "coluna de gás" que se formou.

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"A inalação ou o contacto com gases e líquidos ácidos pode irritar a pele, os olhos e as vias respiratórias", alertou o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan). O governo regional já tinha, por isso, definido um perímetro de segurança com um raio de 3,5 quilómetros em terra e duas milhas náuticas em redor do local onde se esperava que a lava chegasse.

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