Homicídio

Agentes egípcios acusados da morte do estudante italiano Giulio Regeni

Agentes egípcios acusados da morte do estudante italiano Giulio Regeni

Itália acusou formalmente quatro agentes de segurança egípcios pelo rapto, tortura e morte do estudante Giulio Regeni em 2016, perto do Cairo, no Egito. O jovem viajou para o país para realizar uma investigação para o seu doutoramento.

O estudante italiano estava a tirar um doutoramento na Universidade de Cambridge e encontrava-se a fazer uma investigação sobre sindicatos independentes, razão pela qual viajou para o Egito. Giulio Regeni desapareceu a 25 de janeiro de 2016 e foi encontrado nove dias depois, sem roupa e mutilado numa vala na estrada, perto do Cairo. O parlamento italiano contou que o corpo estava tão desfigurado que a própria mãe apenas conseguiu identificar o filho pelo nariz.

Os promotores italianos apontaram quatro suspeitos: Gen Tareq Sabir, Cel Ather Kamal, Maj Magdi Sharif e Cel Hisham Helmy. Os arguidos têm agora vinte dias para responder perante as acusações. Até agora ainda não prestaram qualquer declaração, mas anteriormente as autoridades egípcias negaram o envolvimento no homicídio do jovem. Sugeriram que foi vítima de um roubo por gangue de cinco pessoas, que posteriormente foram mortas num tiroteio. Itália considerou a sugestão "improvável".
No dia um de dezembro fizeram questão de informar que a investigação do homicídio ficaria "suspensa temporariamente", uma vez que o assassino "continua desconhecido", cita a BBC News.

A tragédia criou um conflito diplomático entre os dois países, visto que os procuradores italianos acusaram as autoridades egípcias de querer encobrir o caso e manipular a investigação. "Adquirimos provas inequívocas e significativas. Vai haver apenas um julgamento pela morte de Giulio e será em Itália", afirma Michele Prestipino, procuradora-chefe de Roma, numa conferência de imprensa na quinta-feira.

A autópsia revelou que Giulio terá sido espancado durante vários dias, acabando por morrer com o pescoço partido. Apesar de o Egito ter admitido que a equipa de segurança estava a monitorizar o estudante, negou que ele morreu sob sua custódia. Vários investigadores apresentaram outras justificações para este homicídio como, um acidente de carro ou um crime passional de homossexualidade. As autoridades egípcias criam "histórias falsas para desviar a investigação", assegura o promotor Sergio Colaiocco.

De acordo com a Comissão de Direitos e Liberdades do Egito, desde 2015, "desapareceram à força" mais de 2.700 pessoas.

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