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Agrava-se conflito familiar em torno da sepultura dos filhos de Nelson Mandela

Agrava-se conflito familiar em torno da sepultura dos filhos de Nelson Mandela

O conflito familiar em torno do local dos túmulos de três filhos de Nelson Mandela registou, esta terça-feira, uma escalada com a deposição de uma queixa da família contra o seu neto Mandla, enquanto o antigo presidente sul-africano permanece entre a vida e a morte.

"Os membros da família emitiram uma queixa no comissariado de Bityi por manipulação da sepultura contra Mandla", o mais velho dos seus netos, indicou o porta-voz da polícia Mzukisi Fatyela.

Na sexta-feira, 16 membros da família de Mandela, incluindo a filha mais velha, Makaziwe, já tinham apelado, em recurso, à justiça para que os túmulos de três filhos de Mandela, deslocados por Mandla sem o seu consentimento, sejam recolocados no jazigo familiar de Qunu, onde Mandela deseja ser sepultado.

Graça Machel, mulher de Mandela há 15 anos, encabeça a lista dos 16 queixosos.

Na terça-feira, o juiz Lusindiso Pakade do tribunal de Mthatha deu seguimento ao recurso ao ordenar que os restos mortais dos três filhos de Mandela, mortos em 1948, 1969 e 2005, regressassem ao local original até à noite de quarta-feira.

Os advogados de Mandla argumentaram uma incorreção no processo para pedir ao juiz a revogação da decisão. A audiência deve ser retomada na quarta-feira.

A tradição xhosa, grupo étnico a que pertence Mandela, implica que seja enterrado com os próximos, desde os pais até aos seus filhos.

O jazigo familiar dos Mandela em Qunu, onde o Nobel da paz deseja ser enterrado, acolhe a campa de seu pai e de outros familiares próximos, mas as dos três filhos que Mandela perdeu (Malkaziwe que morreu em bebé, Thembekile morto aos 24 anos num acidente de automóvel e Makgatho morto aos 55 anos com sida) foram exilados a cerca de 30 quilómetros por Mandla.

Os três corpos foram enterrados em 2011 em Mvezo, o local de nascimento de Mandela, e onde Mandla projeta construir um memorial concorrente do museu Mandela de Qunu.

Deputado do ANC desde 2009 e chefe tradicional de Mvezo aos 39 anos, Mandla já conheceu problemas com a justiça, em particular devido à não entrega de uma pensão alimentar à sua primeira esposa.

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