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Al Jazeera não vai transmitir os vídeos do atirador francês

Al Jazeera não vai transmitir os vídeos do atirador francês

A rede televisiva árabe Al Jazeera atendeu ao apelo do presidente francês Nicolas Sarkozy e decidiu não difundir os vídeos feitos por Mohamed Merah, o atirador de Toulouse que assassinou sete pessoas no início do mês de março.

O chefe da Al Jazeera em Paris, Zied Tarrouche, afirmou que o vídeo de 25 minutos é uma montagem que mostra, por ordem cronológica, cenas dos três ataques "ornamentadas" com músicas religiosas e versos do Corão. "É possível ouvir os tiros, a voz do autor dos disparos, que foi deformada, e os gritos das vítimas", disse Tarrouche acrescentando que o vídeo "foi bem realizado do ponto de vista técnico."

Num discurso na manhã desta terça-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu aos canais de TV para não divulgarem as imagens das mortes "por respeito às vítimas e à França". Sarkozy afirmou que "não há nenhuma justificação" para a divulgação das imagens das mortes de quatro pessoas na escola judaica, na semana passada - entre elas três crianças - e dos três soldados, nos dias 11 e 15 de março.

O escritório parisiense da emissora Al Jazeera adiantou que recebeu as gravações e uma carta manuscrita num pacote anónimo na segunda-feira e transferiu, de imediato, os documentos à polícia francesa, afirmando que pelo facto de o vídeo não acrescentar nenhuma informação que não seja já de domínio público e devido ao código de ética que rege o canal de televisão, as imagens não serão transmitidas.

Segundo o chefe da Al Jazeera, o atirador Mohamed Merah utilizou uma câmara presa ao peito, como já tinham dito testemunhas oculares que presenciaram os ataques. "Só vemos planos frontais, mais ou menos estáveis.", realça Tarrouche.

O vídeo, segundo a imprensa francesa, foi enviado a partir de uma vila próxima de Toulouse, onde Merah vivia, e o carimbo do envelope datava de terça-feira passada,levando os investigadores a duvidar se o vídeo tinha sido colocado por Merah, antes do cerco à sua residência ou se ele tinha um cúmplice.

Ainda de acordo com a Al Jazeera, imensos pedidos de obtenção de imagens chegaram à estação televisiva por parte de emissoras de diferentes países e todos foram rejeitados.