Alemanha

Alcunha preocupante, discurso ultra radical

Alcunha preocupante, discurso ultra radical

Frauke Petry, "adolfina", preside à Alternativa para a Alemanha e tem sido das mais interventivas desde o atentado de Berlim. Surge em terceiro nas sondagens para as eleições gerais de 2017.

O atentado da passada segunda-feira, em Berlim, que causou 12 mortos e dezenas de feridos, só lhe fortaleceu a vontade, que já não era propriamente frágil. Frauke Petry preside ao partido da direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) e a revista "Der Spiegel" já a alcunhou de Adolfina, em alusão à mente que empurrou o planeta para a Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler.

Hipérboles à parte, a doutorada em Química tem, desde 2013, agitado a consciência política da população germânica. Isto porque, apesar de ainda não ser um partido de massas, a AfD - que Petry fundou com o jornalista Konrad Adam e o economista Bernd Lucke - tem feito caminho, refletido nos 145 deputados regionais e dois membros no Parlamento Europeu que ostenta.

Nasceu em Dresden, na antiga Alemanha Oriental, a 1 de junho de 1975, e não se lhe conhecem problemas de comunicação. Pede a proibição de minaretes no país, criticou o jogador da seleção germânica Mesut Özil por peregrinar a Meca e dá mostras de não ser adversa a certas características do nacionalismo da década de 1930.

É alvo frequente de acusações de xenofobia, admite ser conservadora, anti-euro e pró-restrições à imigração islâmica.

Tudo somado, Petry surge em terceiro lugar nas sondagens relativas às eleições do próximo ano, atrás da atual chanceler, Angela Merkel, e de Sigmar Gabriel, do Partido Social Democrata.

Além disso, o manifesto do partido - que Petry lidera desde o ano passado, após rutura com Lucke, que avisou que a AfD caíra nas mãos erradas - é de causar insónias a muito boa gente. Um exemplo: é pedida a mudança dos currículos de História para acabar com a ênfase na crítica ao nazismo em favor dos seus aspetos positivos.

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Não satisfeita, não é raro recorrer a termos queridos ao Terceiro Reich, como "völkisch" (relativo a raça).

Armas contra refugiados

Noutro momento, a alemã, mãe de quatro herdeiros, criticou Merkel por não ter filhos, ainda que a chanceler tenha ajudado a criar os dois do segundo marido.

Também não é invulgar os cartazes da AfD acusarem o atual Governo de "traidores da raça".

Aliás, a reação ao ataque na capital alemã deixa pouco espaço à especulação sobre o estado de espírito de Petry. "A Alemanha já não é segura. É obrigação da chanceler comunicá-lo aos cidadãos".

Mais: "Não se trata apenas de um ataque à nossa liberdade e à nossa maneira de viver, mas também à nossa tradição cristã. O que aconteceu não é nem será um caso isolado e o mercado de Natal não é nenhum objetivo casual".

A distância que a líder da AfD pretende manter em relação ao islamismo só tende a aumentar. E ela não deixa que restem dúvidas sobre o facto. Além de exigir que as fronteiras "irresponsavelmente abertas" voltem a ser controladas e que se reforcem os meios dos serviços secretos e das forças de segurança, para Petry, "os terroristas potenciais e os denominados potencialmente perigosos devem ser expulsos e as mesquitas em que se defende a jiad encerradas".

Após casar-se com um pastor luterano, Sven Petry, separou-se no ano passado, juntando os trapos e restante património com Marcus Pretzell, membro do partido. Em 2012, Frauke recebeu uma medalha de mérito, por uma fórmula criada com a mãe.

Não há muito, defendeu que, "em caso de necessidade", a Polícia deveria utilizar armas para ameaçar as pessoas que procuram refúgio na Alemanha. 2016 ou 1936 ?

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