África e Ásia

Aldeias para Crianças SOS investiga casos de maus-tratos e abusos sexuais

Aldeias para Crianças SOS investiga casos de maus-tratos e abusos sexuais

A organização humanitária internacional Aldeias de Crianças SOS está a investigar casos de violência, especialmente violência sexual, e de fraude, cometidos na década de 1990 em cerca de 20 das suas estruturas.

Foram detetados "casos de graves violações da proteção infantil e má gestão em alguns países de África e da Ásia", revelou esta quinta-feira a diretora-geral, Elisabeth Hauser, num comunicado divulgado na sede da organização, em Viena, admitindo estar "profundamente chocada".

"Há fraquezas óbvias na nossa organização (...) e acusações de que os líderes das Aldeias de Crianças SOS estavam cientes de certos incidentes, mas não agiram", disse.

Segundo um porta-voz contactado pela agência de notícias francesa AFP, foram denunciados "abusos sexuais" e referido que os denunciantes "foram despedidos" e que a palavra "menores" foi questionada.

A título de exemplo, Hauser avançou à imprensa um caso de uma criança colocada em isolamento e proibida de visitar os próprios pais devido ao mau desempenho escolar.

Relativamente à gestão inadequada dos fundos, a diretora apontou os concursos para obras ganhos por familiares de funcionários das Aldeias de Crianças SOS.

A associação, que lançou, há três anos, uma análise interna inicial a todos os processos e ordenou uma investigação mais aprofundada em novembro de 2020, criou agora uma comissão independente para esclarecer estas acusações, que deverá ter conclusões até ao final de 2022.

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O objetivo, referiu, é indemnizar as vítimas, cujo número não é especificado, com a ajuda de um fundo de "vários milhões de euros".

Fundada após a Segunda Guerra Mundial, na Áustria, a organização não-governamental está hoje presente em 137 países, onde administra cerca de 550 instituições de caridade e tem 40 mil funcionários, apoiando 1,2 milhões de órfãos ou crianças carentes em todo o mundo.

A Aldeia de Crianças SOS já tinha enfrentado, em 2014, acusações de abuso infantil na Áustria, referentes ao período entre os anos 1950 e 1990.

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