Covid-19

Alemanha declara "guerra" aos anti-vacinas radicais do país

Alemanha declara "guerra" aos anti-vacinas radicais do país

A Alemanha prometeu, esta quarta-feira, "defender-se" contra os grupos anti-vacinação radicalizados no país. A promessa surge depois da polícia alemã ter realizado uma série de rusgas, no estado da Saxónia, na sequência de alegadas ameaças de morte contra o político Michael Kretschmer, por defender medidas restritivas para combater a pandemia na região.

A operação levada a cabo pela polícia criminal da região da Saxónia, no leste da Alemanha, surgiu depois de jornalistas da cadeia pública de televisão ZDF se terem infiltrado num grupo na rede social Telegram, no qual teriam sido feitas ameaças de morte contra o ministro-presidente do estado da Saxónia, Michael Kretschmer (CDU União Democrata-Cristã), favorável à vacinação.

"As declarações de alguns membros do grupo dão a entender que poderiam estar na posse de armas reais e de bestas", adiantou a polícia, em comunicado. As autoridades suspeitaram "da preparação de um crime violento que ameaça o Estado" e por isso, invadiram vários lugares da região para encontrar os autores das ameaças.

A investigação tem como alvo cinco homens e uma mulher "suspeitos da preparação de um ato grave de violência" e de terem "planos para assassinar" o ministro-presidente da Saxónia, entre outras autoridades regionais", refere o comunicado da polícia, que não adianta se foram feitas detenções nem quantas armas foram apreendidas.

Um forte movimento, parcialmente radicalizado, surgiu na Alemanha contra restrições sanitárias impostas durante a pandemia de covid-19. É particularmente forte na Saxónia, na antiga Alemanha Oriental comunista, uma das regiões mais atingidas pelo vírus e onde a taxa de vacinação é mais baixa do que a média nacional.

Apesar de no início Kretschmer não ter imposto medidas restritivas de combate à pandemia, a sua postura mudou quando o estado da Saxónia se tornou numa das regiões mais afetadas pela pandemia de covid-19 no país. Atualmente, a Saxónia tem uma das taxas de vacinação mais baixa da Alemanha, com apenas 61,9% da população vacinada com a primeira dose e tem ainda a segunda taxa de infeção mais alta do território.

O novo chanceler alemão, Olaf Scholz, no seu discurso inaugural, condenou aquilo a que chamou "uma minúscula e odiosa minoria que ataca todos com marchas de tocha, violência e apelos ao assassinato", acrescentando ainda que a sociedade alemã não ficaria dividida. Scholz prometeu também uma política de tolerância zero contra estes grupos extremistas. Na segunda-feira à noite cerca de 3500 pessoas manifestaram-se na cidade de Magdeburgo, gritando "paz, liberdade, sem ditadura". Os protestos na rua contra as restrições são quase diários e por vezes resultam em violência.

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Vacinação obrigatória é medida de combate à nova vaga de infeções

A verdade é que a Alemanha está de braços dados com uma nova onda de infeções e tem visto nos últimos dias os recordes de casos diários serem batidos. Um dos principais motivos para o crescimento descontrolado da pandemia no país prende-se com a baixa taxa de vacinação dos alemães. Apenas cerca de 69% da população está totalmente vacinada, uma percentagem semelhante à de outros países da União Europeia, mas que já foi considerada baixa para conter o vírus.

Na semana passada, os deputados alemães aprovaram uma lei que obriga os profissionais de saúde a vacinarem-se contra a covid-19, um primeiro passo antes do alargamento da vacinação obrigatória à restante população do país, espectável para o início de 2022. Os funcionários visados pela nova medida têm até 15 de março para comprovarem a vacinação completa, caso contrário, não poderão trabalhar.

* Com agências

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