Crise

Alemanha defende eleições livres na Venezuela e Albânia reconhece Guaidó

Alemanha defende eleições livres na Venezuela e Albânia reconhece Guaidó

O Governo alemão defendeu esta quinta-feira um processo político na Venezuela que conduza a "eleições livres e fiáveis" e para o qual atribui uma função importante à "Assembleia Nacional democraticamente eleita".

"O povo da Venezuela comprometeu-se valentemente com um futuro livre para o país", disse o porta-voz do Governo alemão, Steffen Seibert, através da sua conta Twitter.

"Para isso necessita de um processo político que culmine em eleições livres e fiáveis. E neste [processso] a Assembleia Nacional democraticamente eleita deve ter um papel importante", acrescentou.

O presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se na quarta-feira como presidente interino da Venezuela e foi reconhecido nessa qualidade pelos Estados Unidos e a maioria dos países da região, num dia assinalado por amplas manifestações contra e a favor do Presidente Nicolás Maduro.

Interrogado sobre a posição alemã perante a Circe venezuelana, o ministério dos Negócios Estrangeiros remeteu para a declaração da representante para a política externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini.

"A UE apoia totalmente a Assembleia Nacional como a instituição eleita democraticamente, cujos poderes têm de ser restaurados e respeitados", considerou previamente Mogherini.

Em paralelo, e também através de sua mensagem na sua conta Twitter, o primeiro-ministro social-democrata da Albânia, Edi Rama, referiu que o seu Governo reconheceu hoje Guaidó como presidente interino da Venezuela.

"Em nome do povo da Albânia, desejo que Juan Guaidó e os valentes venezuelanos consigam terminar com o poder ilegítimo que converteu o seu país num inferno para a sua própria população. Venezuela Livre", declarou Edi Rama.

O presidente da assembleia nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se na quarta-feira presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

O engenheiro mecânico de 35 anos tornou-se rapidamente o rosto da oposição venezuelana ao assumir, a 03 de janeiro, a presidência da Assembleia Nacional, única instituição à margem do regime vigente no país.

Nicolás Maduro iniciou a 10 de janeiro o seu segundo mandato de seis anos como Presidente da Venezuela, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela maior parte da comunidade internacional.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a maior parte da América Latina já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

O México, a Bolívia, Cuba, a Rússia, a China e a Turquia mantêm-se ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela.

Por seu lado, a União Europeia defendeu a legitimidade democrática do parlamento venezuelano, sublinhando que "os direitos civis, a liberdade e a segurança de todos os membros da Assembleia Nacional, incluindo do seu Presidente, Juan Guaidó, devem ser plenamente respeitados" e instando à "abertura imediata de um processo político que conduza a eleições livres e credíveis, em conformidade com a ordem constitucional".

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, afirmou, na quarta-feira, o seu pleno respeito "à vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela e disse esperar que Nicolas Maduro "compreenda que o seu tempo acabou".

A Venezuela, país onde residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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