Pandemia

Alemanha pisca o olho às vacinas chinesa e russa

Alemanha pisca o olho às vacinas chinesa e russa

A Alemanha está aberta ao uso das vacinas russa e chinesa - a Sputnik V e a Sinopharm, respetivamente, revelou o ministro da Saúde.

Depois de a AstraZeneca ter anunciado que iria distribuir menos vacinas do que as inicialmente previstas, revelando uma falha na produção numa das suas fábricas, a União Europeia (UE) ficou sem saber o que pode esperar da farmacêutica. Os países comunitários colocaram em causa as explicações sobre o atraso no fornecimento de vacinas para a covid-19, consideradas "insuficientes" pelo bloco comunitário.

Entretanto, o ministro da saúde alemão, Jens Spahn, diz que não há obstáculo ao uso das vacinas Sputnik V e Sinopharm, se receberem a aprovação da UE. O ministro sugeriu que as vacinas contra o novo coronavírus da China e da Rússia pudessem ser usadas na Europa para superar o atual défice de doses.

"Independentemente do país em que a vacina é fabricada, se forem seguras e eficazes, podem ajudar a lidar com a pandemia", disse Spahn ao jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" este domingo, acrescentando que devem ser aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos ( AEM).

A Rússia anunciou na última sexta-feira que seria capaz de fornecer 100 milhões de doses da sua vacina Sputnik V à UE no segundo trimestre do ano, o que permitiria que cerca de 50 milhões de pessoas fossem vacinadas. O pedido de aprovação da vacina já foi encaminhado à AEM.

Jens Spahn também expressou esperança de que a pandemia seja controlada no decorrer do ano e que não haja um "segundo aniversário do vírus desta forma". As observações de Spahn sobre as vacinas chinesas e russas vêm dias depois do próprio admitir que a Alemanha enfrenta escassez de vacinas que pode continuar até abril.

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O ministro de saúde alemão recorreu às redes sociais para alertar que o governo alemão terá dificuldade em conseguir doses suficientes para os próximos meses.

"Ainda teremos pelo menos dez semanas difíceis com escassez de vacina", escreveu no Twitter na última quinta-feira.

Já no início da semana, Jens sublinhou que a Europa deve obter uma "parcela justa" de vacinas e pediu à UE que introduza um sistema de licença de exportação para impedir que muitas vacinas se extraviem para fora da UE.

Preocupações sobre vacinas chinesas e russas

Há preocupações generalizadas sobre a segurança e eficácia das vacinas chinesa e russa, uma vez que não seguiram todos os testes exigidos antes de obter a aprovação nos seus países. O regulador de medicamentos e alimentos da Hungria, no entanto, já aprovou uma vacina contra o coronavírus produzida pela Sinopharm, da China. No início de janeiro, a Hungria também rompeu com a UE ao emitir uma licença provisória para a vacina russa Sputnik V.

A UE disse que a obtenção do acordo pela Hungria fora da estrutura comum do bloco foi imprópria, embora não ilegal. A chanceler alemã, Angela Merkel, terá uma reunião com 16 chefes de estado esta segunda-feira para discutir a situação da pandemia, como a escassez de vacinas.

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