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Alemanha virou e isso é uma catástrofe histórica para a direita e a CDU

Alemanha virou e isso é uma catástrofe histórica para a direita e a CDU

Olaf Scholz (SPD) é o mais provável futuro chanceler. CDU terá o pior resultado desde a II Guerra Mundial.

Não há forma de dourar a pílula - e o popular jornal "Bild" resume tudo numa frase: "É uma catástrofe histórica para a CDU". Os resultados preliminares da eleição para o Bundestag, o parlamento alemão, dão apenas 1% de vantagem aos social-democratas do SPD (centro-esquerda) sobre os conservadores da União CDU/CSU (centro-direita), mas aquele facto é já claro: a escalada da derrota da direita é uma queda dramática - é mesmo o pior resultado desde 1949. Assim, após 16 anos de governo Angela Merkel, a União CDU/CSU prepara-se para ser oposição.

As projeções do canal público ZDF davam 25,5% a 25,9% para o SPD de Olaf Scholz, e 24,5% para a CDU de Armin Laschet. Surpresas? Imediatamente esta: os partidos extremistas não cresceram - a AfD, de extrema-direita, terá 10,9%, o que é uma queda dos 12,6% de 2017; e o Die Linke, da extrema-esquerda também desce: de 9,2% em 2017 para 5%.

Os Verdes, de Annalena Baerbock sim, cumprem a surpresa: passam de 8,9% (2017) para 14%.

Scholz canta vitória

É mais um sinal de quão desastrosa foi a eleição para a CDU: o distrito eleitoral que elegeu Angela Merkel em oito eleições seguidas desde 1990 foi ganho pelo SPD.

Olaf Scholz, líder social-democrata e atual ministro das Finanças, já reagiu: "Estamos à frente em todas as sondagens. É um sinal encorajador e um mandato claro para garantir que temos um governo bom e pragmático para a Alemanha".

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Mas Armin Laschet, o desastroso sucessor de Merkel na CDU, não atira a toalha: "A corrida é apertada. Faremos de tudo para formar um governo de liderança conservadora. Não se trata de obter a maioria aritmética, mas de reunir diferentes posições políticas para formar a coligação. Estou pronto".

verdes ganham peso...

Coligação é agora a palavra-chave e todos os partidos reúnem hoje as suas direções para traçar planos no puzzle governativo, mas as negociações podem demorar - em 2017 levaram cinco meses...

Num cenário em que o "centrão" deixa de mandar no Bundestag, o peso dos partidos pequenos aumenta muito. Com os Verdes à beira dos 14% (tiveram 8,9% em 2017), vão para as negociações de coligação com elevada autoestima e um alto poder reivindicativo. O partido de Annalena, que captou muitos votos jovens, corporiza os principais desafios do séc. XXI: crise climática, revolução digital e modernização dos serviços. "É o nosso melhor resultado da história", disse Annalena.

... e os Liberais também

Outro partido pequeno ganha peso: o liberal FDP, de Christian Lindner. A sua importância é esta: os eleitores alemães querem que o governo a atuar sobre as alterações climáticas, mas, alemães como são, querem saber quanto custa a mudança. É aí que o FDP emerge: o partido é grande desregulador e pode ser o fiel da balança que trava os desejos mais arrojados dos Verdes.

Ontem à noite, o liberal Lindner fez uma sugestão curiosa, invertendo os termos das negociações para a coligação que vai governar: propôs que o seu partido e os Verdes se reunissem primeiro e decidissem qual o partido que querem apoiar, o social-democrata SPD ou o democrata-cristão CDU.

S&D dá os parabéns

A Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), a "família" do SPD no Parlamento Europeu, já congratulou Olaf Scholz: "Parabéns por uma campanha forte e bem-sucedida em torno do respeito e da solidariedade".

Sanchez congratula

"Grandes resultados. Parabéns a Olaf Scholz e ao SPD", escreveu o socialista e chefe de Governo espanhol, Pedro Sánche, no Twitter.

E Gentiloni também

"Equidade social, crescimento sustentável e transição verde para uma Europa forte. Parabéns SPD", disse o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni, socialista italiano.

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