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Alterações climáticas agravaram impacto destrutivo em Moçambique, diz ONU

Alterações climáticas agravaram impacto destrutivo em Moçambique, diz ONU

As alterações climáticas agravaram o impacto dos dois ciclones que se abaterem sobre Moçambique em menos de dois meses, se bem que não tenham sido a causa direta destes eventos extremos, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

"O que podemos dizer é que o impacto de ambos os ciclones - Idai em março e Kenneth neste fim de semana -- foi intensificado pelas alterações climáticas", declarou esta terça-feira a porta-voz desta agência da Organização das Nações Unidas (ONU), Clare Nullis.

Em declarações à EFE, Nullis explicou que o aumento do nível do mar na costa de Moçambique provocou uma ondulação mais elevada, enquanto "as chuvas tão fortes que se registaram em Moçambique são compatíveis com as resultantes das alterações climáticas".

A OMM confirmou que Moçambique, onde o ciclone Idai provocou 603 mortos e o Kenneth cerca de 40 nos últimos dias, nunca tinha registado dois grandes ciclones em uma única temporada.

Também nunca tinha ocorrido um fenómeno meteorológico deste tipo tão a norte da costa oriental do continente, como se verificou com o segundo destes ciclones.

Pemba, uma localidade costeira do norte do país, foi a mais afetada pelo ciclone Kenneth e, se bem que as chuvas tenham abrandado, as previsões indicam que vão regressar nos próximos dias, pelo que a ONU anunciou em Genebra que está a preparar uma rápida operação de ajuda.

"Os trabalhadores humanitários estão a trabalhar tão depressa quanto podem, para preparar voos com ajuda, que incluem medicamentos para a ilha de Matemo", a 84 quilómetros a norte de Pemba, onde os estragos também foram enormes, afirmou o porta-voz da agência da ONU para a Ajuda Humanitária, Jens Laerke.

Por seu lado, a agência da ONU para os refugiados informou que já tem uma equipa em Pemba, que pode comprovar que boa parte da cidade está debaixo de água e que em algumas zonas a destruição é total.

A situação, porém, não permite chegar a localidades mais remotas, onde se crê que há pessoas isoladas que precisam de ser retiradas.

O acesso da população aos alimentos é uma preocupação das agências humanitárias para o longo prazo, uma vez que os ciclones destruíram mais de 31 mil hectares de culturas, em plena época de colheitas.

Pelo menos 36 mil famílias perderam as suas casas, por causa do ciclone Kenneth. A pesca artesanal está muito prejudicada, tal como a venda de cocos, devido ao derrube das árvores.