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Imigração

Ambiguidade de Joe Biden penaliza imigrantes ilegais nos EUA

Ambiguidade de Joe Biden penaliza imigrantes ilegais nos EUA

Presidente prometeu desfazer as duras políticas deixadas pelo antecessor, Donald Trump, com o plano mais ambicioso desde 1986. Teme-se que as expectativas tenham sido demasiado altas.

Determinado a reverter as duras políticas de imigração impostas por Donald Trump durante o seu mandato na Casa Branca, o atual presidente norte-americano, Joe Biden, comprometeu-se a reformar o sistema de forma arrojada e ambiciosa. Fez das políticas de imigração bandeira da sua campanha eleitoral e, logo após ter assumido o cargo, prometeu criar vias legais para a imigração. Deixou milhares a almejar o "sonho americano" e, logo após a tomada de posse do novo presidente, em janeiro, rumaram aos Estados Unidos.

Mas, afinal, o muro ainda lá estava e entrar na "terra prometida" não seria assim tão fácil. A mensagem de Biden sobre as novas regras de entrada no país foi ambígua e trouxe ao gabinete do democrata a primeira grande crise, que o chefe de Estado demorou a reconhecer. Só em fevereiro, mais de 100 mil pessoas tentaram entrar nos Estados Unidos pela fronteira com o México. Mais de 10 mil eram menores desacompanhados.

Foi dito e feito. Nas primeiras horas como presidente, Biden anunciou mudanças na legislação e suspendeu as deportações de imigrantes indocumentados por um período de 100 dias. Apresentou, ainda, um projeto-lei para abrir caminho à atribuição da cidadania a cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados a viver nos Estados Unidos antes do início deste ano. É o plano mais arrojado desde 1986, quando o presidente Ronald Reagan aprovou um projeto-lei que deu estatuto legal a três milhões de imigrantes.

Suspendeu, também, os novos registos no programa Protocolos de Proteção ao Migrante - instituído por Trump e que devolveu ao México quase 69 mil pessoas, para aguardarem resposta ao seu processo de pedido de asilo -, retomando o processamento de 25 mil requerentes de asilo regressados ao México ao abrigo do protocolo.

Pressas atrapalham

As autoridades temiam que a pressa na passagem para políticas mais liberais levasse a um aumento inesperado de imigrantes e que o êxodo sobrecarregasse a fiscalização e os recursos de processamento de asilo.

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E o receio tornou-se realidade. Milhares de pessoas aguardam agora por respostas nas fronteiras e mais de 15 mil menores desacompanhados estão, atualmente, sob a custódia das autoridades norte-americanas.

"Todos os anos, há um aumento significativo das chegadas à fronteira no inverno porque os migrantes têm menos probabilidades de morrer de calor no deserto", dizia Biden na primeira conferência de imprensa. "Não vou pedir desculpa por abolir políticas que violavam o Direito Internacional e a dignidade humana. Nunca direi: "Se uma criança chegar à fronteira, vamos deixá-la morrer à fome e ficar do outro lado". Nenhuma outra Administração fez isso, exceto a de Trump."</p>

Entre estes menores, quase cinco mil foram postos em instalações sem condições para acolher crianças e jovens. São os menores desacompanhados que a Administração de Biden se recusa a "devolver" ao lado mexicano por motivos humanitários, como faz com adultos ou famílias.

Esta permanência de crianças em centros levantou de imediato uma onda de críticas, já que a lei exige que a estadia destes menores não ultrapasse as 72 horas, devendo ser entregues aos serviços de saúde ou colocados em famílias de acolhimento.

A dificuldade de gerir a situação na fronteira levou a oposição republicana a afirmar que os migrantes foram encorajados pelas políticas liberais de Biden, que acusam de fraqueza por ter posto fim às políticas "dissuasivas" de Trump, que, em 2018, forçaram, inclusive, a separação de famílias.

"Vão chegar aos milhões"

"A parte triste é que não tinha de acontecer. Esta crise na fronteira foi criada pelas políticas da nova Administração. É a crise fronteiriça de Biden", criticou Kevin McCarthy, líder da minoria republicana na Câmara dos Representantes. Já o ex-presidente fez previsões catastróficas. "O problema está a complicar-se. E não é nada comparado com o que ainda está para vir. Eles vão chegar aos milhões", insistiu Donald Trump.>

A proposta de reformar o sistema de imigração é arrojada e de louvar, mas a Administração de Biden foi, aparentemente, ingénua ou não se preparou para o previsível aumento no fluxo migratório, motivado pela pobreza, pelo aumento da violência e pela instabilidade política nos países da América Central.

Ainda sem ter visitado a fronteira com o México, mas a prometer que "na altura certa" o fará, Biden passou a pasta da imigração à vice-presidente, Kamala Harris, que "concordou em liderar o esforço diplomático" das conversações com o México, mas também com os países da América Central, de onde vem a maior parte dos menores que tentam alcançar os EUA.p>

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