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Amnistia Internacional responsabiliza Bolsonaro pelos incêndios na Amazónia

Amnistia Internacional responsabiliza Bolsonaro pelos incêndios na Amazónia

O secretário-geral da Amnistia Internacional (AI) responsabilizou esta quinta-feira o presidente do Brasil pelos fogos que grassam na Amazónia, por permitir a desflorestação de parte deste território e pela inação face a ilegalidades.

"A responsabilidade de parar estes fogos que têm atingido a floresta da Amazónia é do Presidente Bolsonaro e do seu Governo", escreveu Kumi Naidoo numa nota à imprensa, na qual aponta que o Brasil "tem de mudar a sua desastrosa política de permissão de desflorestação, que é o que abriu caminho a esta crise".

Já este ano a Amnistia Internacional visitou o território, "documentando invasões terrestres ilegais e ateamento de fogos perto de territórios indígenas na Amazónia, incluindo na Rondônia, onde muitos dos fogos se concentram", acrescenta-se no texto da organização não-governamental (ONG).

A desflorestação nos territórios visitados por esta ONG "duplicou comparado com o mesmo período de 2018, por causa dos invasores ilegais que estão a cortar árvores, atear fogos e a atacar as comunidades indígenas que lá vivem".

Acusando o Presidente brasileiro de "deliberadamente ter enfraquecido as proteções às florestas e minado os direitos do milhão de indígenas que vivem lá", a AI diz que Bolsonaro procurou também "difamar" as ONG, quando disse que foram elas a lançar os fogos para o prejudicar.

"Em vez de espalhar mentiras infames ou negar a escala da desflorestação que está a acontecer, apelamos ao Presidente para tomar medidas imediatas para travar o progresso destes fogos. Isto é essencial para proteger o direito das pessoas a um ambiente saudável, bem como ao direito à saúde, dado o impacto dos fogos na qualidade do ar do Brasil e dos países vizinhos", diz a AI.

As declarações do secretário-geral da AI surgem no mesmo dia em que as Nações Unidas se mostraram muito preocupadas com os incêndios na Amazónia, no Brasil, devido aos danos imediatos e alterações climáticas.

O porta-voz do secretário-geral da ONU disse hoje que a organização ainda não tem informações precisas sobre a causa dos incêndios que consomem a floresta amazónica há 16 dias, segundo a comunicação social, escusando-se a fazer comentários sobre a origem do desastre ambiental.

"Estamos muito preocupados com os fogos, pelos danos imediatos que estão a causar e porque sustentar as florestas é crucial na nossa luta contra as alterações climáticas", afirmou Stephane Dujarric, na sede da ONU, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afetado.

Dados do sistema de monitorização por satélite chamado Deter, que é mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro (Inpe) indicam que em julho a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O Inpe é o organismo do Governo brasileiro que monitoriza os dados sobre a desflorestação e queimadas no país.

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