Covid-19

"Amor não é turismo" e a luta dos casais sem papel separados pela pandemia

"Amor não é turismo" e a luta dos casais sem papel separados pela pandemia

A vida está difícil para os casais binacionais, especialmente os que não têm um papel a provar que estão unidos, mas alguns países começam a dar mostras de compreender esta dor que arde indocumentada.

As restrições que tomaram o mundo após o surto pandémico de coronavírus deixaram casais de namorados longe da vista. Para aqueles que a distância não separou, os tempos são agora de esperança, após longos meses de espera, quando cresce o número de países que introduz medidas que prometem reaproximar amantes apartados.

Alguns estados permitem a parceiros "com papel passado" visitar o cônjuge noutro país, mas não dão o mesmo tratamento a casais de namorados ou que vivam em união de facto sem comprovativo oficial.

Uma situação considerada "injusta" pelo movimento "Amor não é Turismo", que nasceu na redes sociais para denunciar os casos de amor à distância, testados pelas contingências da covid-19.

"Compreendemos as limitações, mas o amor não é turismo. Isto não é sobre umas férias de verão, é sobre a saúde mental e o futuro de pessoas à volta do mundo", argumenta o movimento.

A dor do francês Fabien Lefebvre, que não vê a companheira iraniana desde fevereiro, é a expressão do sentimento denunciado pelo movimento. "O relógio está a fazer tic-tac e o nível de tensão e desespero é já muito grave", disse.

No caso de Emeric Tonri, é especialmente difícil. Francês, a trabalhar no sudeste asiático desde 2014, está desde dezembro sem ver a mulher e a filha de quatro anos, retidas no Vietname. "É trágico", desabafou à reportagem da agência francesa de notícias "France Presse".

As viagens não essenciais para a União Europeia (UE) continuam proibidas para vários países, incluindo os EUA, com exceção de cidadãos europeus, de residentes na Europa e respetivas famílias.

Na teoria, os países europeus podem permitir a entrada na Europa a parceiros não casados mas com um relacionamento comprovado. Como poucos o fazem, a UE está a dar sinais de ansiedade com a separação forçada de muitos europeus.

A Alemanha, que encabeça atualmente a presidência rotativa dos 27, fez um questionário para saber em que pé está a relação dos países com os não-casados, enquanto a Comissão Europeia exortou os estados membros a pôr fim ao tormento destes casais, permitindo a entrada na Europa a parceiros de cidadãos europeus ou de residentes no Velho Continente.

Segundo o movimento "Amor não é turismo", apenas 11 países autorizam casais binacionais a encontrarem-se na casa do outro. O 12.º a entrar em campo é a França. "Este vírus não gosta do amor, mas nós gostamos", disse o ministro responsável pelo Turismo no ministério francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Baptiste Lemoyne, em declarações ao "Le Journal du Dimanche".

A frase justifica a entrada da França, que a reboque do movimento romântico do século XVII ficou conhecida como a pátria da "língua do amor", no lote de países que querem derrubar barreiras para deixar casais binacionais voltarem a ver-se.

Para poder entrar em França e ver a cara-metade, os pretendentes terão de apresentar, no consulado gaulês do país de residência ou origem, documentos que provem atividades comuns, um bilhete de regresso, além de documentos de identificação e comprovativos de residência de uma das partes.

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