França

ADN apanha suspeito de matar mulher e filha 28 anos depois

JN/Agências

Michèle Chabert e Christine, vítimas dos crimes

Foto Dr

Um homem foi detido e acusado esta quarta-feira pelos homicídios da mulher e filha, que também foi violada, ambas encontradas mortas e degoladas em 1993 perto de Grenoble, no sudeste de França. O avanço científico de técnicas de ADN foi essencial para o desfecho.

O ADN de vestígios de sémen encontrados nas calças da filha, uma adolescente de 13 anos, preservados durante a investigação, permitiu, 28 anos depois, identificar o pai como o autor dos crimes. O álibi na altura apresentando pelo pai, uma viagem à Roménia com o filho no momento do crime, teria pontos fracos, concluíram os investigadores.

Michèle Chabert, de 43 anos, mulher de Marian Marinescu, e Christine, filha do casal, foram encontradas mortas a 7 de janeiro de 1993, na casa onde viviam, em Sassenage, no subúrbios de Grenoble. Estavam nos respetivos quartos e apresentavam vários golpes de faca no pescoço.

Nos meses que se seguiram, as autoridades não encontraram pistas sólidas e os apelos públicos realizados a possíveis testemunhas dos crimes não levaram a nenhum progresso significativo. Ainda assim, a Polícia "nunca desistiu de procurar a verdade", assegurou agora, em conferência de imprensa, Lionel James, comandante da secção de investigação da Gendarmerie de Grenoble (equivalente à GNR), encarregado da investigação desde o início.

Já em 2021, depois de mais uma releitura do arquivo pelos investigadores, o laboratório do Instituto de Investigação Criminal da Gendarmerie "revelou inúmeros vestígios do esperma de Marian Marinescu nas calças da sua filha Christine", detalhou à imprensa o procurador de Grenoble, Eric Vaillant. Passados 28 anos e cinco juízes de instrução diferentes, a investigação não parou: "As provas foram avaliadas pelo menos cinco vezes" e, com o avanço das técnicas de laboratório, é agora possível descobrir o ADN "em traços muito mais finos."

Detido na segunda-feira e confrontado com dados "inequívocos", Marian Marinescu disse aos investigadores, "que presumindo que fosse ele, não teria memória de ter cometido os factos", adiantou o procurador. Agora com 72 anos, o suspeito foi acusado hoje pelos dois homicídios e colocado em prisão preventiva.