90 dias de guerra

Dor e destruição na Ucrânia vão terminar quando "os objetivos forem cumpridos"

Daniela Jogo

Pelo menos 234 crianças já perderam a vida neste conflito|

 foto ARIS MESSINIS / AFP

Ataque aéreo na região do Donbass|

 foto ARIS MESSINIS / AFP

Um estação de metro virou "casa" para muitos refugiados|

 foto EPA/SERGEY KOZLOV

A "operação militar especial" na Ucrânia entra esta terça-feira em mais um marco histórico. 90 dias de guerra, dor e destruição. O Kremlin garante que não vai parar até cumprir os objetivos e a Europa vai disponibilizar mais 500 milhões de euros para ajudar o povo ucraniano. Eis os pontos-chave do 90.º dia guerra.

- A "operação militar especial", que começou há três meses, só vai terminar quando "todos os objetivos forem cumpridos". "Não estamos a correr para cumprir um prazo [específico]", disse secretário-geral do Conselho de Segurança russo, ao responder a uma pergunta sobre o tempo da intervenção na Ucrânia, que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro. Já o ministro da Defesa admitiu hoje que a Rússia está a abrandar a ofensiva para "evitar baixas civis", reafirmando que o exército de Putin não ataca infraestruturas civis, apesar das imagens de cidades destruídas.

- Quase 200 cadáveres estão em estado de decomposição na fábrica Azovstal, de acordo com o assessor do presidente da câmara de Mariupol, atualmente sob controlo das forças russas."Perante a recusa da população, que não quis recolher os corpos, o Ministério de Situação de Emergência russo abandonou o local" e deixou os corpos ao ar livre, constituindo um perigo para a saúde pública.

Ataque aéreo na região do Donbass

Foto: ARIS MESSINIS / AFP

- O Exército russo disparou 2275 mísseis contra a Ucrânia e realizou mais de três mil ataques aéreos nestes três meses de guerra. Segundo Volodymyr Zelensky "a grande maioria [dos mísseis] visava alvos civis". O balanço surgiu no dia que assinalam três meses desde o início da invasão. No que diz respeito a vítimas, os dados oficiais ucranianos apontam para 2500 a três mil soldados ucranianos e pelo menos 3930 civis mortos, incluindo 234 crianças.

- Dmytro Kuleba, ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, pediu à comunidade internacional para não comprar à Rússia "cereais roubados" e avisou que isso implica "cumplicidade" com os crimes russos. Ursula von der Leyen alertou, ao discursar no Fórum Económico Mundial, para os "sinais óbvios" de uma crise alimentar mundial, uma vez que "a artilharia russa está a bombardear deliberadamente armazéns de cereais em toda a Ucrânia" e que está também a "bloquear navios ucranianos cheios de trigo e sementes de girassol".

- Vladimir Putin foi alvo de um atentado pouco depois de ordenar a invasão da Ucrânia, segundo o chefe da direção-geral de Informações do Ministério da Defesa de Kiev. "Foi uma tentativa absolutamente falhada que, na realidade, aconteceu. Foi há cerca de dois meses", disse Kyrylo Budanov sem precisar, em concreto, o autor do suposto ataque contra o chefe de Estado da Rússia.

- Um embargo europeu ao petróleo russo é possível "dentro de alguns dias", revelou o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, embora tenha reconhecido que a medida não é ainda consensual no seio da União Europeia (UE). A Comissão Europeia exortou os Estados-membros a aprovarem "sem demora" as sanções que incluem um embargo ao petróleo russo, para evitar a "estranha situação" de contribuir para financiar a guerra enquanto apoiam a Ucrânia.

Um estação de metro virou "casa" para muitos refugiados

Foto: EPA/SERGEY KOZLOV

- 82% dos ucranianos são contra ceder territórios em troca de um acordo de paz com a Rússia, segundo uma sondagem publicada pelo Instituto de Sociologia Internacional de Kiev. Por outro lado, 10% dos inquiridos consideram admissível "abandonar" territórios para alcançar a paz mais rapidamente ou para preservar a independência da Ucrânia.

- Cerca de 20 países vão doar mais ajuda militar à Ucrânia, como munições, sistemas de defesa costeira, tanques ou veículos blindados, divulgaram os Estados Unidos, que organizaram na segunda-feira uma segunda reunião para fortalecer as capacidades militares de Kiev. O Conselho da União Europeia (UE) libertou hoje uma quarta parcela de assistência à Ucrânia no valor de 500 milhões de euros, ao abrigo do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

- Pelo menos 310 ucranianos que tinha obtido proteção temporária em Portugal regressaram à Ucrânia. Desde que começou a guerra, 38 278 ucranianos ou estrangeiros residentes naquele país pediram proteção temporária a Portugal.