China

EUA processam magnata dos casinos Steve Wynn por atuar ao serviço do governo chinês

JN/Agências

Steve Wynn realizou um trabalho de pressão e influência, a pedido do governo chinês, durante o governo de Donald Trump

Foto Afp

O Departamento de Justiça dos EUA processou esta terça-feira o antigo magnata dos casinos de Las Vegas, Steve Wynn, por recusar a registar-se como um agente estrangeiro, após ter feito um trabalho de 'lobby' ao serviço da China.

Steve Wynn realizou um trabalho de pressão e influência, a pedido do governo chinês, durante o governo de Donald Trump, noticia a agência Associated Press (AP).

A justiça norte-americana referiu que aconselhou Steve Wynn repetidamente, nos últimos quatro anos, a registar-se sob a Lei de Registo de Agentes Estrangeiros (FARA) e que está agora a processar o empresário depois deste se ter recusado a fazê-lo.

Embora o Departamento de Justiça tenha intensificado os esforços para processar criminalmente pessoas que não se registam como agentes estrangeiros, as autoridades descreveram este caso como o primeiro processo deste género em mais de três décadas.

"Quando um governo estrangeiro usa um norte-americano como seu agente para influenciar decisões políticas nos Estados Unidos, a FARA dá ao povo americano o direito de saber", referiu o procurador-geral assistente Matthew Olsen, chefe da Divisão de Segurança Nacional do departamento, em comunicado.

Os advogados de Steve Wynn garantiram que vão recorrer contra este processo.

"Steve Wynn nunca atuou como agente do governo chinês e não tinha obrigação de se registar sob a Lei de Registo de Agentes Estrangeiros", salientaram, em comunicado, os advogados Reid Weingarten e Brian Heberlig.

A acusação alega que Steve Wynn, que deixou a sua empresa, Wynn Resorts, em 2018, depois que várias mulheres o acusaram de má conduta sexual, pressionou o então Presidente dos EUA, Donald Trump, e membros do seu governo, durante vários meses em 2017, para retirar dos EUA um cidadão chinês que tinha sido acusado de corrupção na China e estava à procura de asilo político nos EUA.

Os esforços para retirar aquele cidadão chinês dos EUA não tiveram sucesso.

A justiça norte-americana refere que o trabalho de 'lobby' foi realizado em nome de altos funcionários do governo chinês, incluindo Sin Lijun, o então vice-ministro do Ministério da Segurança Pública, e incluiu conversas durante o jantar com Trump e por telefone.

Steve Wynn teria ainda como motivação proteger os seus interesses comerciais na China, adianta também a acusação.

Na altura, a sua empresa possuía e operava casinos no território chinês de Macau.

O governo de Macau restringiu o número de mesas e máquinas de jogo que podiam ser operadas no casino de Wynn e este pretendia renegociar as licenças para operar casinos em 2019, refere ainda a justiça norte-americana.

A FARA, promulgada em 1938 para desmascarar a propaganda nazi nos EUA, exige que as pessoas divulguem ao Departamento de Justiça quando defendem, fazem 'lobby' ou realizam trabalhos de relações públicas nos EUA em nome de um governo estrangeiro ou entidade política.

A acusação alega que Wynn foi atraído para o esforço de 'lobby' por Elliott Broidy, um conhecido angariador de fundos para Donald Trump e o Partido Republicano, que se declarou culpado em 2020 de uma campanha de 'lobby' ilícita com o objetivo de fazer com que o governo Trump abandonasse uma investigação aos desvios multimilionários de um fundo de investimento estatal da Malásia.

Elliott Broidy assumiu também que fez um esforço secreto de 'lobby' para providenciar o regresso de um dissidente chinês que vivia nos EUA.