Polémica

Falhou homenagem a Isabel II devido ao "trânsito" e outras gafes do presidente sul-coreano

M. A.

Yoon Suk-yeol, presidente da Coreia do Sul

Foto Cole Burston / Afp

Eleito em maio, o chefe de Estado sul-coreano está a ser acusado de envergonhar a nação perante a comunidade internacional. Além de ter faltado às cerimónias fúnebres de Isabel II, mesmo estando em Londres, foi apanhado a referir-se a Biden de forma pouco simpática, num vídeo que se tornou viral.

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, estava em Londres na semana da morte de Isabel II, numa visita oficial ao Reino Unido, mas não compareceu na Abadia de Westminster para homenagear a rainha. O motivo? "Trânsito intenso", justificou o gabinete do chefe de Estado. A oposição sul-coreana não tardou a lamentar a ausência, acusando Yoon Suk-yeol de "rebaixar o prestígio nacional".

As cerimónias fúnebres motivaram uma forte operação policial na capital britânica, com o trânsito escrupulosamente controlado, enquanto milhares de pessoas faziam filas de vários quilómetros para um último adeus à rainha. O presidente francês, Emmanuel Macron, por exemplo, foi um dos convidados de honra que se deslocou a pé até à igreja.

Após a ida a Londres, o presidente sul-coreano, eleito em maio, seguiu para Nova Iorque, na sua primeira visita oficial aos Estados Unidos, para participar na Assembleia-Geral da ONU, antes de partir para o Canadá. Mas também lá deu que falar. Nos últimos dias, a imprensa de Seul divulgou um vídeo no qual Yoon Suk-yeol surge a referir-se de forma pouco simpática tanto ao homólogo americano como ao Congresso dos EUA.

"Como poderia Biden não perder a face se estes cabrões não a passarem no Congresso?", afirmou, em Nova Iorque, numa aparente referência ao esforço de Joe Biden para aumentar a contribuição do país para o Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária.

Segundo a Reuters, o vídeo depressa se tornou viral na Coreia do Sul, ao mesmo tempo que o palavrão usado por Suk-yeol inundou o Twitter. Para Park Hong-keun, da oposição, este "acidente diplomático calunioso mancha seriamente a dignidade nacional".

O gabinete do presidente sul-coreano garantiu que o chefe de Estado se estava a referir ao parlamento do seu próprio país, não tendo dito "Biden" mas sim uma palavra muito semelhante. Contudo, a justificação não convenceu os sul-coreanos, nomeadamente os elementos do partido de Yoon Suk-yeol, que consideraram o episódio "lamentável".

Desde que foi eleito, em maio, a popularidade de Yoon Suk-yeol, tem vindo a cair. Além de ter sido acusado de tomar decisões com base nos conselhos de um xamã, o político é considerado diplomaticamente inapto por não conseguir manter discussões substanciais. Um dos exemplos apontados foi o do encontro com Biden, durante o qual estavam previstas conversas informais que culminaram numa troca de palavras de 48 segundos. Outra polémica envolveu o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, que ponderou cancelar uma reunião com Yoon por terem sido divulgadas informações sobre o encontro ainda antes da sua realização.