EUA

FBI encontrou caixas com documentos secretos em casa de Trump

JN/Agências

FBI esteve na casa de Mar-A-Lago, de Donald Trump

Foto Giorgio Viera / Afp

A rusga do FBI à casa de Donald Trump na Florida baseou-se, em parte, em suspeitas de violações da Lei de Espionagem dos EUA, relacionadas com a retenção ilegal de documentos de Defesa classificados, segundo o conteúdo do mandado revelado esta sexta-feira.

Além de violações da Lei de Espionagem, Trump também é investigado por alegada obstrução da justiça e destruição de registos do Governo federal, indicou o "The Guardian", após um juiz da Florida ter divulgado os documentos com essas informações.

O mandado que permitiu ao FBI (polícia federal norte-americana) realizar buscas na mansão de Trump em Mar-a-Lago, na Florida, na segunda-feira, mostra que os agentes procuravam provas sobre o manuseio incorreto de documentos confidenciais por parte do político republicano, incluindo alguns classificados como "ultrassecretos", o que constituiu uma violação de três estatutos criminais.

A condenação sob estes estatutos pode resultar em pena de prisão ou multas.

Dessa forma, o mandado de busca autorizou os agentes do FBI a apreender materiais da residência de Trump para investigar crimes relacionados à Lei de Espionagem, que proíbe a retenção não autorizada de informações de segurança nacional que possam prejudicar os Estados Unidos ou ajudar um adversário.

Donald Trump, que classifica as buscas à sua residência como "antiamericanas, injustificadas e desnecessárias", já havia exigido hoje a divulgação "imediata" desse mandado federal utilizado pelo FBI.

Horas antes, o Departamento de Justiça também pediu a um tribunal para que o mandado fosse divulgado, com o procurador-geral Merrick Garland a citar o "substancial interesse público neste assunto".

O pedido do Departamento de Justiça é surpreendente, uma vez que tais documentos tradicionalmente permanecem lacrados durante uma investigação em curso.

Contudo, o Departamento parece reconhecer que o seu silêncio desde as buscas abriu um espaço para ataques verbais por parte de Trump e seus aliados, e que o público tem direito a conhecer o lado do FBI sobre o que motivou a ação de segunda-feira na casa do ex-chefe de Estado.

"O claro e poderoso interesse do público em entender o que ocorreu sob essas circunstâncias pesa fortemente a favor da abertura", disse uma moção apresentada num tribunal federal da Florida na quinta-feira.

Agora, além do mandado que autorizou a busca, foi também divulgado um longo inventário de documentos apreendidos na segunda-feira pelos agentes do FBI.

O jornal "The Wall Street Journal" noticiou hoje que os agentes recuperaram documentos classificados, incluindo alguns "ultrasecretos" que deveriam estar apenas em instalações especiais do Governo.

O jornal, que teve acesso ao inventário dos materiais apreendidos, explica que o FBI levou um total de 20 caixas da mansão de Trump em Mar-a-Lago, incluindo 11 coleções de materiais classificados.

O "The Wall Street Journal" diz ainda que alguns documentos tinham o rótulo "top secret", o mais alto nível de confidencialidade que pode ser aplicado a informações no Sistema de inteligência dos Estados Unidos da América (EUA).

Entre os materiais recuperados pelo FBI e que aparecem detalhados, destacam-se arquivos relacionados com o perdão presidencial ao ex-colaborador de Trump Roger Stone, informações sobre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e documentos ligados a armamento nuclear.

Para obter um mandado de busca, as autoridades federais devem provar a um juiz que existe causa provável para acreditar que um crime foi cometido.

Garland disse que aprovou pessoalmente o mandado, uma decisão que garante não ter sido tomada de ânimo leve, já que a prática padrão, sempre que possível, é selecionar táticas menos intrusivas do que uma busca domiciliar.

A operação, realizada na residência de Donald Trump, provocou a fúria dos fieis apoiantes do republicano, evocando uma "perseguição política".

Relacionadas