Longa Marcha

Foguetão chinês cai descontrolado para Terra. Portugal não está livre do perigo

JN

Foguetão chinês deve cair na terra nas próximas horas

Foto Afp

É uma área vasta do planeta, entre os 41,5 graus Norte e Sul, aquela onde se prevê que venham a cair os destroços do foguetão chinês "Longa Marcha 5B", que desce "de forma descontrolada" em direção à terra. Portugal é um pequeno ponto nessa vastidão, mas está entre os locais ameaçados pelos destroços que devem entrar na atmosfera nas próximas horas.

As autoridades chinesas e especialistas norte-americanos e britânicos dizem que as possibilidades de alguém ficar ferido são muito reduzidas. Assim como as hipóteses de os restos do foguetão causarem estragos no solo, mas é um facto que Portugal está entre a vastidão de locais onde podem cair os destroços do Longa Marcha 5B (LM5B), numa faixa ao longo de todo o planeta, algures entre os 41,5 graus norte e o mesmo valor sul.

Foguetão deve cair numa vasta faixa, entre os 41,5 graus Norte e o mesmo valor Sul, representada no mapa

Foto: The Aerospace Corporation

Situado entre os 37 e os 42 graus Norte, Portugal, especialmente o Centro e Sul, estão nessa longa faixa de possibilidade, à volta da Terra, onde podem cair os destroços. Uma área de vários milhões de quilómetros quadrados, com cinco continentes e três oceanos, que vai de Nova Iorque a Montevideu, nos continentes americanos, com Rio e Janeiro (Brasil) pelo meio, do centro de Portugal ao mar ao largo do extremo sul da África do Sul, ou de Pequim, na China, a Camberra, capital da Austrália, na Ásia.

A reentrada dos destroços na atmosfera terrestre deve acontecer nas próximas horas, entre o fim da noite de sábado e o nascer do dia de domingo. A previsão não é definitiva, uma vez que a velocidade de aproximação ao planeta azul depende da densidade do ar que o LM5 encontrar pelo caminho e do atrito que causar.

O foguete Longa Marcha 5B, de cerca de 30 metros e entre 17 e 21 toneladas de peso, será um dos maiores destroços espaciais a cair na Terra, pelo que "merece uma monitorização cuidadosa" disse o Serviço de Vigilância e Seguimento Espacial da União Europeia, citado pela agência EFE. Este consórcio está há dias a vigiar o trajeto do gigantesco objeto espacial chinês.

Foguetão chinês em queda para a Terra. Portugal não está livre do perigo

Foto: AFP

"Temos a esperança de que venha a cair num local onde não magoe ninguém", disse o secretário de Estado da Defesa dos EUA, Lloyd Austin. "Esperemos que caia num oceano ou outro local desabitado", acrescentou, em declarações à BBC.

"A probabilidade de causar danos às atividades aéreas ou no solo é extremamente fraca", disse à imprensa um porta-voz da diplomacia chinesa, Wang Wenbin, na sexta-feira.

"Devido à composição técnica deste foguete, a maioria dos componentes serão incinerados e destruídos ao entrarem na atmosfera", acrescentou o diplomata chinês. Há, no entanto, a possibilidade de materiais mais resistentes ao calor não se destruírem.

Os EUA não descartam a possibilidade de os destroços caírem numa zona habitada e por isso estão a seguir de perto a situação.

O departamento de Defesa dos EUA, citado pela Associated Press, prevê que o aparelho caia na Terra este sábado, mas só "horas antes da reentrada" na atmosfera será possível prever mais concretamente onde, disse o Pentágono na terça-feira.

A organização Aerospace Corp. prevê que os destroços que resistam à entrada na atmosfera caiam no Pacífico, junto ao Equador, após passar sobre cidades no leste dos EUA.

Foguetão chinês em queda para a Terra. Portugal não está livre do perigo

Foto: AFP

A China lançou na semana passada o módulo principal da sua primeira estação espacial permanente, que visa hospedar astronautas a longo prazo.

O módulo Tianhe, ou "Harmonia Celestial", foi lançado para o espaço recorrendo ao foguete Longa Marcha 5B, aparelho que deverá regressar agora à Terra, embora ninguém onsiga prever exatamente onde cairá.

Normalmente, as partes dos aparelhos espaciais que não são necessários são imediatamente guiados para se destruírem por fricção na atmosfera terrestre, mas isso não aconteceu com o foguete chinês.

O lançamento da semana passada foi o primeiro de 11 missões necessárias para construir e abastecer a futura estação espacial chinesa e enviar uma tripulação de três pessoas até ao final do próximo ano.

Pelo menos 12 astronautas estão a treinar para viver na estação, incluindo veteranos de missões anteriores. A primeira missão tripulada, a Shenzhou-12, está prevista para junho.

Quando concluída, no final de 2022, a Estação Espacial Chinesa deverá pesar cerca de 66 toneladas, consideravelmente menor do que a Estação Espacial Internacional, que lançou o seu primeiro módulo em 1998 e pesará cerca de 450 toneladas.

A exploração espacial é fonte de grande orgulho nacional na China, mas esta não é a primeira vez que o país perde o controlo de um objeto espacial no seu regresso à Terra.

Em abril de 2018, o laboratório espacial Tiangong-1 desintegrou-se ao reentrar na atmosfera, dois anos após deixar de funcionar.

As autoridades chinesas negaram que o laboratório tivesse escapado ao seu controlo.