Parceria

França assina acordo de venda de fragatas à Grécia após crise com Austrália

Emmanuel Macron e o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis

Foto Ludovic Marin / Afp

A França assinou esta terça-feira um acordo para vender três fragatas à Grécia, uma nova etapa da "parceria estratégica" entre Paris e Atenas no Mediterrâneo, dez dias após a crise gerada pela suspensão da venda de submarinos à Austrália.

Este acordo foi assinado no Palácio do Eliseu entre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

Macron sublinhou que a defesa europeia nas mãos dos europeus não é "uma alternativa" e nem "uma substituição" ao papel que os Estados Unidos desempenharam, mas sim um "assumir deste pilar europeu no quadro da NATO".

"Os europeus devem deixar de ser ingénuos", disse o chefe de Estado francês no final da cerimónia, apelando aos europeus para "mostrarem" que "também têm o poder e a capacidade de se defenderem".

Segundo Macron, os europeus devem "retirar todas as consequências" do facto de os Estados Unidos "se concentrarem em si próprios e terem interesses estratégicos reorientados para a China e o Pacífico".

As três fragatas Belharra serão construídas em França pelo Grupo Naval, em Lorient (Morbihan), e serão entregues à Marinha grega em 2025.

O valor do contrato, que também se refere a uma quarta fragata opcional, atingiu "vários milhares de milhões de euros", disse uma fonte diplomática.

Mitsotakis sublinhou que este acordo atende "às necessidades" da Grécia, que está a fortalecer o seu programa de armas para conter as provocações turcas no Mediterrâneo oriental, contra as quais a França foi um dos poucos países da UE a protestar publicamente nos últimos anos.

"A França esteve ao nosso lado durante o difícil período do verão de 2020", sublinhou o primeiro-ministro grego, especificando que este acordo "não é para confrontar" a Turquia.

Em Ancara, o Ministério da Defesa turco contentou-se em indicar que "tinha anotado" este anúncio.

Para Emmanuel Macron, o reforço da parceria com a Grécia "enquadra-se perfeitamente na coerência e no pleno respeito dos compromissos para com a UE e a NATO", em particular permitir "atuar de forma mais eficaz e coordenada em conjunto pela paz e segurança no Mediterrâneo, Médio Oriente, África e Balcãs".

"Os nossos dois países desenvolveram uma aliança muito poderosa que vai além das nossas obrigações mútuas" no que diz respeito à UE e à NATO, disse o Presidente francês.

Atenas lançou em 2020 um concurso para compra de quatro fragatas e renovação das suas fragatas Hydra. A empresa francesa concorreu com a empresa alemã TKMS, a holandesa Damen, a italiana Fincantieri e a norte-americana Lockheed Martin.

No início deste mês, Mitsotakis anunciou a intenção de adquirir mais seis caças franceses Rafale, além de um contrato anterior de 2,5 mil milhões de euros, assinado em janeiro, para 12 Rafale usados e seis novos.

Falando publicamente pela primeira vez sobre o cancelamento pela Austrália do contrato de fornecimento de submarinos, no valor de 55 mil milhões de euros, Emmanuel Macron disse que a decisão teria consequências "limitadas" para as empresas francesas em questão, incluindo o Naval Group, porque esses submarinos seriam fabricados principalmente na Austrália.

Macron indicou que o embaixador francês Philippe Etienne, chamado de volta a Paris, retornaria a Washington na quarta-feira e lembrou que se irá encontrar com o Presidente dos EUA, Joe Biden, em meados de outubro.

"Os Estados Unidos são grandes amigos históricos e aliados em termos de valores, mas somos obrigados a notar que, há mais de dez anos que os Estados Unidos se centraram em si próprios e têm interesses estratégicos que se reorientam para a China e o Pacífico. É um direito deles, é a sua própria soberania. Mas seria um erro terrível não querermos avaliar todas as consequências para nós", declarou Macron.

Neste contexto, o reforço da parceria com Atenas representa, segundo o Presidente francês, um "primeiro passo ousado rumo à autonomia estratégica europeia", tema que pretende levar adiante durante a presidência francesa da UE a partir de 01 de janeiro, antes das eleições presidenciais em França.

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