Brasil

Lula da Silva diz que espera eleição feliz e exalta alianças

JN/Agências

Lula da Silva no encerramento da campanha, em São Paulo

Foto Miguel Schincariol / Afp

O ex-presidente brasileiro e candidato Lula da Silva disse, na noite de sábado, véspera das eleições, que termina a campanha feliz e exaltou alianças com partidos progressistas que dão suporte à sua candidatura presidencial.

"Esperava por este dia, esperava chegar exatamente como estou. Estou feliz do ponto de vista político, estou feliz com os partidos da minha chapa [coligação], estou feliz com minha mulher, com meus filhos e estou feliz com a opinião pública", afirmou Lula da Silva numa conferência de imprensa em São Paulo, onde encerrou a campanha depois de uma caminhada no centro da maior cidade do Brasil.

"Amanhã estarei festejando se ganhar ou não, e nós vamos para a Avenida Paulista fazer festa", acrescentou, referindo-se à possibilidade de vencer a eleição na primeira volta já que lidera as sondagens com números próximos e, em alguns casos superiores, a 50% das intenções de voto.

"Tenho certeza que vamos ganhar as eleições. (...) É dia de alegria porque já vivi situações difíceis, inclusive devo parte dessa minha alegria ao meu partido, aos meus aliados", afirmou.

O ex-presidente e candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) exaltou os aliados da campanha presidencial, que reuniu quase todos os partidos de esquerda do Brasil.

"Vocês sabem que eu fiz muitas vezes campanha com o PCdoB [Partido Comunista do Brasil], com o PDT [Partido Democrático Trabalhista] e, desta vez, conseguimos sair com uma aliança com outros partidos progressistas e movimentos sociais", afirmou Lula da Silva.

"Por isto, a campanha teve a alegria e o sucesso que está tendo. Nossa aliança teve sucesso e sou muito grato pela parceria que fiz com o companheiro Alckmin", acrescentou, referindo-se ao candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin, que foi seu rival político e concorrente nas eleições presidenciais de 2006 e agora disputa a presidência consigo.

O ex-presidente afirmou que ele e Alckmin eram como jogadores de futebol que pensavam ser inimigos e de repente foram jogar na mesma equipa, e descobriram que eram amigos e não sabiam.

O candidato do PT também agradeceu ao "povo brasileiro que é muito generoso."

Questionado sobre as estratégias, alianças e se a campanha mudará, em caso de segunda volta das eleições presidenciais, Lula da Silva disse que quer ganhar na primeira volta, mas afirmou que, se não conseguir, será outra eleição e, portanto, vai conversar com quem for preciso conversar.

"Nosso barco é como a Arca de Noé, basta dizer que quer entrar lá dentro que vamos salvar todo mundo", defendeu ao ser questionado sobre uma aliança com candidata Simone Tebet, que disputa as presidenciais como candidata do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Falando sobre a campanha, o candidato a vice, Alckmin, fez também um breve discurso no qual frisou considerar que a corrida eleitoral até ao fim da primeira volta foi muito bonita.

"Fizemos uma campanha para a situação política que o Brasil vive, que não podia ser melhor do ponto de vista do arco de alianças que o sufrágio terá amanhã, estamos decidindo de qualquer regime político que queremos para o Brasil a partir de amanhã", declarou.

"A melhor parte da política é sempre o povo, como é alegre, como tem esperança mesmo no sofrimento", completou Alckmin.

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, uma das figuras políticas que viabilizou a aliança de Lula da Silva com Alckmin, disse na mesma conferência de imprensa estar muito confiante para a disputa em São Paulo e no Brasil.

"Nós tivemos a oportunidade de reunir o maior número de partidos progressistas para levar esta mensagem ao Brasil e aqui ao estado de São Paulo", declarou Haddad.

"Fizemos uma campanha que, para a situação política que o Brasil vive, não podia ser melhor do ponto de vista do arco de alianças (...) No sufrágio amanhã estaremos decidindo qual regime político queremos para o Brasil a partir de amanha", defendeu o candidato ao governo 'paulista' pelo PT.

Às presidenciais brasileiras concorrem 11 candidatos: Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D'Ávila, Soraya Tronicke, Eymael, Padre Kelmon, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia.

As eleições presidenciais no Brasil têm a primeira volta marcada para este domingo e a segunda, caso seja necessária, para 30 de outubro.

Além do cargo de presidente e vice-presidente, estão em jogo os governos dos 27 estados do país, a renovação completa da Câmara dos Deputados, a renovação parcial do Senado e das assembleias legislativas estaduais.

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