Manifestação

Marcha contra entrega de armas à Ucrânia junta centenas no Porto

Ana Isabel Moura

Manifestação contra entrega de armas|

 foto ESTELA SILVA / LUSA

Contra-protesto de ucranianos|

 foto ESTELA SILVA / LUSA

Com o mote "Paz Sim, Guerra Não", centenas de pessoas juntaram-se esta quarta-feira numa manifestação, onde se insurgiram contra o aumento das despesas militares por parte dos estados-membros da NATO, no seguimento da guerra da Ucrânia. Contra-protesto de grupo de ucranianos pediu exatamente o contrário.

Mais de 80 organizações estiveram representadas no protesto, depois de, em maio deste ano, ter sido lançado um manifesto assinado por mais de sessenta personalidades portuguesas, entre as quais Ilda Figueiredo, vereadora da Câmara Municipal do Porto, José Goulão, jornalista, e Rita Lello, atriz.

No dia em que começou a Cimeira da NATO, em Madrid, e onde ficou definido um novo reforço militar no flanco Leste da Europa, bem como a futura expansão da Aliança, Ilda Figueiredo mostrou "grande preocupação" em relação aos pontos definidos no encontro dos 30 estados-membros, não só porque "irão impulsionar o desenvolvimento do conflito" como vão direcionar fundos que "podiam ser aplicados para melhorar os salários e combater a pobreza" no seio dos países.

Numa altura em que a ofensiva russa na Ucrânia se tem intensificado de dia para dia, num cenário onde não tem havido margem para diálogo, a economista reitera que "todos os conflitos devem ser resolvidos através da negociação e da diplomacia", lamentando que esta via não tenha sido prioritária desde o primeiro dia da ofensiva. "Se isso tivesse existido, certamente não estávamos a viver esta situação de conflito, que não se vive apenas na Ucrânia", assinalou.

Entre as organizações presentes na marcha, que começou na Cordoaria e só terminou junto à margem do Rio Douro, na Ribeira, esteve o Movimento Democrático de Mulheres, que também se posiciona contra a entrega de armas a Kiev, defendendo que esta escalada prejudica sobretudo "mulheres e crianças que, nestas situações de conflito, costumam ser os mais afetados", destacou Catarina Alves, membro da organização.

"Posicionamo-nos contra a NATO pois só contribuiu para a escalada do armamento. Este dinheiro que está a ser pedido para a guerra poderia ser usado para emancipar as mulheres de vários países", frisou Catarina Alves.

Contra-protesto de ucranianos

No mesmo local, um grupo de ucranianos organizou um contra-protesto, para rejeitar as ideias do apelo contra a entrega de armas, enaltecendo que estas são o único meio que pode levar ao fim do conflito.

Cartazes com frases como "Deem-nos a possibilidade de nos protegermos", "Arm Ukraine now" (Armem a Ucrânia agora) e "Russia is a terrorist" (A Rússia é terrorista), lançaram o grito de revolta de um povo que continua a apelar por mais ajuda bélica para sobreviver.

"Qualquer tipo de arma que seja enviada para os nossos compatriotas é uma grande ajuda, pois ajuda a diminuir as vítimas entre civis e entre militares", referiu o ucraniano Daniel Pankul, que vive em Portugal há sete anos, num apelo que contrasta com o que foi transmitido no manifesto, que também contou com uma manifestação em Lisboa, no passado dia 25 de junho.

Ao contrário do que é sugerido pelo manifesto anti-armas, que considera as sanções uma forma de empobrecer os povos, Daniel defende que estas formas de retaliação "são muito importantes porque implicam que a Rússia terá menos dinheiro para matar ucranianos", lembrando que "a Ucrânia não está a lutar por uma vitória, está a lutar pela sua existência e para isso são necessárias armas".

Questionada sobre a presença deste grupo de ucranianos no mesmo local onde decorreu a manifestação contra o fornecimento de armas à Ucrânia, Ilda Figueiredo desvalorizou o encontro, garantindo que respeita "as opiniões de cada um".