Eleições

Mesas de voto abriram para escolha de sucessor de Merkel na Alemanha

O presidente alemão Frank-Walter Steinmeier

Foto Epa/focke Strangmann / Pool

As mesas de voto abriram esta manhã na Alemanha para eleições legislativas em que sociais democratas e conservadores disputam a sucessão de Angela Merkel, que deixa o cargo de chanceler após 16 anos de poder.

Cerca de 60,4 milhões de eleitores têm até às 18 horas locais (17 em Portugal continental) para eleger os deputados do vigésimo Bundestag (Parlamento Federal) do pós-guerra, depois de 16 anos de governação de Angela Merkel.

Segundo as últimas sondagens, os sociais democratas do atual ministro das Finanças, Olaf Scholz, vão um pouco à frente, com 25% e os conservadores de Armin Laschet, creditam 22% a 23%, uma pontuação historicamente baixa para o partido da chanceler cessante.

Estima-se que, especialmente por causa da pandemia de covid-19, mais de metade dos eleitores já tenha optado pelo voto por correio, inclusive a chanceler Angela Merkel. Se os números se confirmarem, é um novo recorde.

A Alemanha tem um sistema distrital misto e cada eleitor dispõe de dois votos.

No primeiro, o voto é direto e escolhe-se um candidato do distrito e é escolhido quem conseguir mais votos, sendo que cada partido tem direito a um nome por distrito ou zona eleitoral.

No segundo voto, a decisão recai num partido e o eleitor escolhe uma lista com candidatos definida por uma das forças políticas aptas a concorrer no seu estado federal. Este segundo voto determina o tamanho das bancadas no Parlamento alemão.

Isto é, se um partido tiver elegido, no primeiro voto, mais representantes do que teria direito pelo segundo voto, o número total de deputados do parlamento é aumentado até que a proporcionalidade seja alcançada.

O número mínimo de deputados equivale ao dobro do número de distritos, ou seja 598.

O atual parlamento tem 709 deputados. Para que um partido tenha uma bancada, necessita de obter, no mínimo 5% dos votos válidos no segundo voto, ou eleger pelo menos três deputados no primeiro voto, mas nenhum deputado, eleito diretamente, fica de fora, caso o partido não tenha chegado aos 5%.

São sete os partidos com representação no Bundestag: a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU), que partilham a mesma bancada, o Partido Social Democrata alemão (SPD), os Verdes, a Esquerda, o Partido Liberal Democrático (FDP) e a Alternativa para a Alemanha (AfD), pertencendo 10 cadeiras do parlamento a deputados sem partido.

O chanceler é escolhido por votação indireta, isto é, os nomes indicados pelos partidos servem apenas para dizer que, caso vençam, aquele será o escolhido.

Nos principais partidos, Olaf Scholz, atual vice-chanceler e ministro das Finanças, é o candidato pelo SPD. Armin Laschet, ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestefália, é o candidato da CDU. Os Verdes escolheram um nome pela primeira vez, a co-líder Annalena Baerbock.

Scholz foi o primeiro a apresentar-se como candidato, e, nesta altura, lidera as sondagens, mas de acordo com os vários estudos divulgados, nenhum partido deverá conseguir a maioria necessária para governo, sendo necessária uma coligação.

Entre algumas das formações possíveis estão as coligações "Semáforo" (Ampelkoalition), com o SPD, Verdes e Liberais, "Jamaica", com a CDU, os Verdes e os Liberais, "Quénia", com a CDU/CSU, SPD e Verdes, ou uma coligação de esquerda, com o SPD, Verdes e a Esquerda.

As negociações não têm prazo limite para terminar, sendo, até lá, nomeado um governo de gestão. Vários analistas acreditam que Angela Merkel ainda deverá fazer o habitual discurso de Natal na Alemanha.