Brasil

Miguel viu a mãe desesperada e ligou à polícia por ter fome

AFP

 foto Douglas MAGNO / AFP

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Família estava há três dias a comer farinha de milho. Lágrimas da mãe, desempregada e desesperada, levaram o menino de 11 anos a telefonar para os serviços de emergência. O motivo? Não terem o que comer. Caso gerou onda de solidariedade com doações a chegarem de todo o Brasil.

Em apenas uma semana, a fome deu lugar à fartura. Tudo por causa de um corajoso telefonema para a polícia brasileira. Miguel Barros, de 11 anos, e os sete irmãos, que vivem com a mãe num barraco de cimento em Santa Luzia, nos subúrbios de Belo Horizonte, andavam há três dias a comer farinha de milho: o único alimento que a família tinha.

No entanto, o pequeno Miguel decidiu fazer a diferença e telefonou para os serviços de emergência. Quando lhe perguntaram do que precisava, o menino foi sincero: "senhor polícia, não há nada para comer cá em casa". Uma resposta que desarmou, por completo, o agente da polícia, que prometeu enviar reforços.

Quando os colegas chegaram à pequena casa em ruínas, contavam deparar-se com um caso de negligência infantil. Contudo, em vez disso, conheceram uma mãe solteira, carinhosa e lutadora, a fazer de tudo para tentar alimentar os filhos, numa altura em que o preço dos alimentos disparou. No fundo, uma história que se repete em inúmeras casas brasileiras.

Os polícias foram ao supermercado e voltaram com cestos cheios de comida, incluindo bens doados pelo próprio dono da loja. No entanto, quando a imprensa local deu eco à história de Miguel, o caso tornou-se viral, gerando-se uma onda de solidariedade. A família começou a receber alimentos e dinheiro de todo o Brasil. "Chegou tanta comida diferente, alguma eu nem sei o que é", contou Miguel, à AFP, sorrindo perante um armário recheado de alimentos.

Doações chegaram de vários locais do país

Foto: Douglas MAGNO / AFP

Com 46 anos, Celia é mãe solteira de oito filhos e trabalhou em biscates até à pandemia, altura em que ficou desempregada. "Nós sofremos muito. Eu nunca vou esquecer isto enquanto viver porque a fome dói muito", confessou, com o filho mais novo ao colo. "Chegamos a uma altura em que não conseguimos nem sequer levantar-nos. O Miguel viu-me desesperada, a chorar, e resolveu fazer o que fez. Graças a Deus, foi aí que tudo mudou", frisou..

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